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Política

Novo governo

Temer vai ao Congresso e ouve gritos de 'golpista'

por André Barrocal publicado 23/05/2016 22h36
Interino enfrentou protestos em SP e mandou isolar residência oficial em Brasília. Militares foram acionados contra "perturbações", segundo Jucá
Lula Marques / Agência PT
Michel Temer no Congresso

O presidente interino foi alvo de protestos de manifestantes e deputados

O presidente interino Michel Temer foi ao Congresso nesta segunda-feira 23 entregar pessoalmente ao presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), um projeto de lei, gesto raríssimo na história brasileira. Entrou e saiu sob vaias e aos gritos de “golpista”, entoados por alguns servidores do legislativo e por dois deputados petistas, Paulo Pimenta (RS) e Moema Gramacho (BA).

Não foi um fato isolado. O ibope do interino não anda nada bom, ao menos entre alguns grupos organizados contrários ao impeachment de Dilma Rousseff. 

Um dia antes das vaias no Congresso, Temer tinha sido alvo de protestos em sua residência particular, em São Paulo. Uma praça próxima do local foi tomada por manifestantes ligados a movimentos sindicais, de sem-teto e de jovens, todos unidos na chamada Frente Povo Sem Medo.

Por ordem do interino, a segurança presidencial fechou as ruas de acesso ao apartamento de Temer, para impedir a aproximação dos manifestantes. Para evitar o cerco e os protestos, o peemedebista antecipou sua volta a Brasília.

Na capital federal, sua residência oficial, o Palácio do Jaburu, tem sua principal via de acesso atualmente controlada por seguranças. Só é possível passar em frente aos portões do Jaburu depois de identificar-se perante seguranças em uma espécie de guarita improvisada.

O procedimento tem constrangido interlocutores de Dilma Rousseff, já que a via controlada é a mesma que leva ao Palácio da Alvorada, moradia da presidenta afastada. Só é possível chegar ao Alvorada depois de identificar-se na barreira próxima ao Jaburu.

Dias atrás, o vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), foi ao Alvorada e reclamou, da tribuna do Senado, de ter sido barrado. “Há um controle absoluto de qualquer pessoa que queira ter qualquer tipo de contato com a presidente Dilma”, disse.

Os protestos não pegaram Temer de surpresa. Ao contrário. Ele já esperava por isso em caso de impeachment de Dilma, daí ter tomado providências para se cercar de cuidados militares desde antes de Câmara e Senado votarem o afastamento da petista.

É o que se pode constatar na gravação divulgada pela Folha de S. Paulo nesta segunda-feira 23 de uma conversa mantida em março pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), até então homem de confiança de Temer e membro do núcleo duro do governo provisório até a divulgação da gravação.

“Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar”, diz Jucá.

Temer tem sido incentivado a tratar protestos com mão pesada, especialmente os liderados pelo MST, o movimento dos sem-terra citado por Jucá como um dos alvos dos militares. Incentivos que partem sobretudo de bancada ruralista, com quem o interino tem boa relação.

Em reunião com ruralistas no fim de abril, antes do afastamento de Dilma pelo Senado, Temer ouviu de parlamentares e entidades ligados ao campo que deveria usar as Forças Armadas contra o MST. O deputado gaúcho Luis Carlos Heinze (PP) foi um dos defensores da ideia.

Temer foi ao Congresso em um uma tentativa de mostrar deferência ao parlamento. Ele levou a Calheiros um projeto que altera a mesta fiscal do governo em 2016. Sem a mudança, Temer receia ser acusado de “pedalada fiscal”.

Jucá, naquele momento ainda ministro do Planejamento, também esteve na reunião com Calheiros. Chegou antes de Temer, o que impediu que fossem feitas fotos dos dois juntos. O presidente interino deixou o local apressadamente, o que também evitou que ele fosse fotografado perto do ministro demissionário.

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