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Política

13 de março

SP reúne 500 mil por impeachment de Dilma, segundo Datafolha

por Redação — publicado 13/03/2016 18h15, última modificação 13/03/2016 21h32
Manifestantes participaram de atos em ao menos 17 estados, ao lado de políticos e movimentos. PM estima que 1,4 milhão manifestaram-se em São Paulo
Rovena Rosa/Agência Brasil /Fotos Públicas
Manifestação em SP

Em contagem parcial, Datafolha estima em 450 mil o número de participantes no ato contra o governo de Dilma Rousseff

O primeiro ato de 2016 contra o governo Dilma Rousseff reuniu centenas de milhares de manifestantes em ao menos 17 estados brasileiros. A maior concentração aconteceu em São Paulo: cerca de 500 mil manifestantes tomaram a Avenida Paulista, em estimativa parcial do Datafolha, divulgada no final da tarde. Já a Polícia Militar de São Paulo estimou em 1,4 milhão os participantes do ato na  Paulista e nas ruas adjacentes e em 400 mil a adesão aos protestos em outros municípios do estado. 

Neste 13 de março, políticos e partidos engrossaram os atos, ao lado de organizações como o Movimento Brasil Livre, Vem Pra Rua e Revoltados Online. Na capital paulista, como nos protestos anteriores, os manifestantes vestiram-se de verde e amarelo e entoaram palavras de ordem contra o PT, Lula e Dilma. Houve também bonecos pixulecos e muitas alusões ao juiz Sérgio Moro, da Operação Lava-Jato.

Ao contrário das outras manifestações, porém, o protesto na Avenida Paulista contou, pela primeira vez, com a participação do governador tucano Geraldo Alckmin (PSDB-SP). Após comparecer à manifestação na capital mineira, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) reuniu-se com Alckmin na residência do governador antes de seguir para a manifestação. Um grupo chegou a vaiar os políticos, chamando-os de "oportunistas".

No estado que governou por dois mandatos (2003-2010) e pelo qual é senador desde 2011, Aécio Neves subiu o tom contra Dilma e defendeu, segundo o site do jornal O Globo, "qualquer saída" para retirar Dilma da Presidência. Entre os caminhos apontados pelo senador, o impeachment, a cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou ainda a renúncia da presidente. Aécio, porém, ressaltou que tratam-se de alternativas constitucionais: "Hoje, qualquer saída, sem a atual presidente da República, dentro da Constituição, é melhor do que estendermos esse calvário para o povo brasileiro".

Belo Horizonte reuniu 30 mil manifestantes, segundo a PM. Aécio também é investigado pela Operação Lava Jato e já foi citado quatro vezes em depoimentos. Em São Paulo, a cúpula do governo Alckmin também é investigada por supostos desvios na merenda escolar.

Em Brasília, a manifestação na capital federal somava 100 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, e 200 mil nas contas dos organizadores do protesto. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), um dos políticos a comparecer ao evento, chegou a discursar em um trio elétrico no protesto na Esplanada dos Ministérios.

No Rio de Janeiro, cuja concentração ocorreu em Copacabana, organizadores estimaram o público em 200 mil pessoas - a PM não divulgará nenhuma estimativa oficial. As capitais Recife e Curitiba também arregimentaram protestos com mais de 100 mil participantes: 160 mil na capital do Paraná e 120 mil na do Pernambuco, de acordo com o Datafolha. 

As manifestações receberam cobertura massiva tanto nas redes sociais quanto na Rede Globo, que encurtou e intercalou toda a programação com entradas ao vivo em diversos estados. A #VemPraRuaBrasil ficou em primeiro lugar nos TrendingTopics mundiais no Twitter.

O temor de enfrentamentos e violência, devido à polarização política, porém, não se concretizou. Os movimentos e partidos defensores do ex-presidente Lula e do governo Dilma Rousseff recuaram e marcaram os atos de apoio ao governo petista para a próxima sexta-feira 18. Na noite anterior aos protestos, porém, houve vandalismo na sede da União Nacional dos Estudantes em São Paulo. 

Por meio de seu perfil oficial no Facebook, Dilma Rousseff criticou o ataque à sede do movimento estudantil: "É intolerável a violência cometida por vândalos que, neste sábado, atacaram a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), em São Paulo. Trata-se de uma ação violenta, que confunde o debate político saudável e democrático com a disseminação do ódio. Como venho afirmando à imprensa, ações que constituam provocação, violência e vandalismo prestam enorme e preocupante desserviço ao Brasil."