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Revelações fazem a 1ª vítima no governo goiano

por Redação Carta Capital — publicado 04/04/2012 11h56, última modificação 06/06/2015 18h14
Citada nos grampos, chefe de gabinete de Marconi Perillo pede exoneração. Enquanto isso, DEM joga senador na cova dos leões e defende CPI
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Em conversas telefônicas, o bicheiro jacta-se da influência sobre Mairconi Perillo e sempre recorria a Demóstenes Torres, vulgo "gordinho". Perillo (foto) nega relações com esquema. Foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press

Não adiantou negar, espernear, ameaçar processo. Nesta quarta-feira 4, a revelação de que as falcatruas do bicheiro Carlinhos Cachoeira tinha tentáculos no governo de Goiás produziu a primeira baixa na equipe de Marconi Perillo (PSDB).

No centro das suspeitas, a chefe de gabinete do governador, Eliane Gonçalves Pinheiro, pediu exoneração após a revelação de que era citada nas interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal na esteira da Operação Monte Carlo.

Na quarta-feira 4, o governador goiano negou qualquer envolvimento com o esquema de Cachoeira e Demóstenes. Durante entrevista à TV Anhanguera, filiada da Rede Globo, evitou falar a respeito da saída de Eliane.  Perillo afirmou que desde janeiro de 2011, quando assumiu o governo, determinou ao secretário de Segurança Pública, João Furtado, o levantamento das operações de apreensão e destruição de máquinas caça-níqueis.

Conforme mostrou a reportagem de Leandro Fortes na última edição de CartaCapital, Eliane chegou ao cargo no início do ano passado, depois das eleições de 2010, quando foi responsável pela articulação do tucano para que prefeitos do PP aderissem à campanha do PSDB ao governo estadual.

Segundo as investigações, a filha de um dos padrinhos políticos de Eliane é casada com um irmão de Cachoeira, que comandou o esquema do jogo do bicho e outras irregularidades em Goiás. Ele foi preso pela PF na operação.

Eliane é suspeita de acionar políticos aliados sobre operações policiais na região. As mensagens eram trocadas com o bicheiro, de acordo com outra reportagem, publicada nesta quarta-feira pela Folha de S.Paulo.

Ciente da encrenca em que está metido, Perillo já havia decidido mexer em sua equipe para apagar os rastros de Cachoeira e do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), também implicado no esquema. Assim, a chefe de gabinete de Perillo deveria deixar o cargo, conforme noticiou CartaCapital na semana passada, sob a improvável promessa de mudar de função.

A outra baixa até o momento foi a saída de Demóstenes do DEM. Levada ao epicentro da crise, a sigla ensaia uma reação na tentativa de mostrar que o esquema era suprapartidário – e deve, como mostram as investigações, respingar em líderes de outras legendas e até mesmo no mundo de fora da política.

Sabendo disso, o líder do DEM na Câmara, deputado ACM Neto (BA), foi escalado para fazer coro ao pedido de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as suspeitas. “Queremos que todos os citados no caso sejam investigados, independente de partido”, declarou.

Em nota no site do partido, ACM Neto disse que o DEM agiu de forma rígida no caso de Demóstenes, isolado e arremessado para a cova dos leões por “seu notório envolvimento com a operação Monte Carlo (Polícia Federal) e com o contraventor Carlos Cachoeira”.

Em conversas particulares, Demóstenes já admite que está “morto politicamente”. “Não passamos a mão na cabeça de quem comete erros”, disse o ACM Neto.

Segundo ele, a bancada do DEM, com 27 deputados, apoia, com unanimidade, a criação da CPI.

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