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Revelações complicam situação de Demóstenes

por Redação Carta Capital — publicado 24/03/2012 14h19, última modificação 24/03/2012 14h48
Enquanto parlamentares cobram investigação, senador reage criticando reportagem e citando Deus
Demostenes

Demóstenes Torres trocou quase 300 telefonemas com Cachoeira, quem deu uma cozinha de 27 mil dólares ao senador e foi preso pela Polícia Federal. A explicação de Torres virou piada na internet. Foto:José Cruz/ABr

As novas revelações sobre as ligações do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , devem  acelerar as investigações sobre o suposto esquema de contravenção do jogo do bicho apurado desde 2009 pela Procuradoria Geral da República.

Diante dos novos índicos, o órgão estuda pedir ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigar o senador – que só pode responder ao STF.

Para terça-feira 27 está prevista uma reunião da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Segundo a Agência Brasil, deputados e senadores querem saber os motivos da lentidão do processo que investiga desde 2009 o bicheiro e vários políticos sob suspeita. O grupo de parlamentares quer ainda  saber quais outros nomes aparecem nas interceptações telefônicas.

Capitaneado pelos deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Protógenes Queiróz (PCdoB-SP), o grupo pedirá urgência nas apurações.

Na sexta 23, CartaCapital revelou que Demóstenes tinha direito a 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino comandado pelo bicheiro - e que movimentou, em seis anos, 170 milhões de reais (Leia mais ). A reportagem, assinada por Leandro Fortes, mostrou que a Polícia Federal tem conhecimento, desde 2006, das ligações do bicheiro com o senador e que o esquema jamais foi encerrado porque os policiais responsáveis pela investigação foram cooptados pelo esquema.

Horas após a reportagem, Demóstenes foi a público, por meio do Twitter, se defender das acusações. “De todos os absurdos publicados contra mim, os mais danosos estão no site da Carta Capital. Os informantes da revista estão enganados”, escreveu o senador.

“O sofrimento provocado pelos seguidos ataques a minha honra são difíceis de suportar, mas me amparo em Deus e na certeza de minha inocência”, completou.

Apesar da manifestada fé na inocência, a situação é cada vez mais delicada para o senador flagrado em telefonemas pedindo favores de Cachoeira, de quem já recebeu até presente de casamento. Antes mesmo das últimas revelações, os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT) protocolaram, na terça-feira 20, uma representação cobrando que sejam investigadas as suspeitas sobre Demóstenes.

O PSOL protocolou também na Mesa da Câmara pedido para que a Corregedoria da Casa investigue as relações de outros parlamentares com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Ao longo da semana, o deputado Protógenes conseguiu 181 assinaturas de deputados em um requerimento para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com a finalidade de investigar, em 180 dias, as práticas criminosas desvendadas pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal. A ação, baseada em Goiás (estado do senador), levou à prisão integrantes de uma suposta quadrilha que operava com a contravenção do jogo do bicho, de caça-níqueis, corrupção em larga escala de autoridades civis, policiais e políticos.

 

Com informações da Agência Brasil

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