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'Quem não deve não teme'

por Redação Carta Capital — publicado 02/04/2012 13h47, última modificação 03/04/2012 10h00
É o que diz senador após o suposto boicote à circulação de revistas sobre esquema de Cachoeira em Goiás. Reportagem ganha a web e gera reações
goias

Com medo de quê?

“Corra às bancas para adquirir a CartaCapital. Mas não em Goiás, de onde sumiu... Tem matéria que expõe relações suspeitas do governador Marconi”.

O alerta é do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ). Foi distribuído a seus 22,5 mil seguidores no Twitter após saber que a edição número 691 da revista havia supostamente desaparecido das bancas no estado (Leia mais ). A reportagem de capa, assinada por Leandro Fortes, mostra como o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, influenciava a montagem do governo Marconi Perillo (PSDB) em Goiás.

 

Anunciado por leitores, o suposto boicote lembra uma prática comum na Bahia dos tempos de Antonio Carlos Magalhães – ou em lugares onde edições de jornais e revistas desapareciam conforme contrariavam os interesses dos mandatários locais. Como os tempos são outros, CartaCapital disponibiliza a íntegra da reportagem em seu site (leia clicando ), para que nem em Goiás nem no Japão os leitores sejam privados da informação.

A reação na internet à notícia foi quase imediata.

“Sumir com revista de bancas de jornais, por matéria que incomoda –aconteceu hoje em Goiás com a CartaCapital – é ação fascista”, prossegue o deputado.

O deputado integra a Frente de Combate à Corrupção – grupo de parlamentares que pede informações e documentos sobre o possível envolvimento de deputados federais nas ações investigadas pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse a CartaCapital que também foi procurador no fim de semana por leitores se queixando do suposto sumiço das revistas.

Segundo ele, se o boicote for confirmado, será a prova de que "quem deve teme". "Esse filme eu já assisti no Amapá: de vez em quando, sai uma matéria em publicação nacional, e os áulicos assessores que eram atingidom providenciavam a aquisição."

Para o senador, a medida é antiga e "burra". "Com a internet livre, só conseguiram despertar ainda mais interesse na matéria. Eu mesmo acabo de dar uma entrevista para uma rádio de Goiás."

Pouco antes, em seu  Twitter, Ranfolfe escreveu: “Atenção povo de Goiás: estou com a revista @cartacapital nas mãos... Entendi porque os "homi" mandaram tirar das bancas ontem...”

Randolfe é um dos autores do pedido de investigação sobre o colega Demóstenes Torres (DEM-GO) – que, segundo o senador do Amapá, tem relacionamentos “amplos, gerais e irrestritos” com os a suposta quadrilha.

O PSOL apresentou na quarta-feira 28 uma representação no Conselho de Ética do Senado contra Demóstenes. No dia seguinte, na Câmara, o PSOL assinou um ofício solicitando ao presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), que pedisse ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, todas as informações referentes às investigações.

Ciro Gomes, ex-ministro da Integração Nacional e novo colunista de site de CartaCapital, também comentou o episódio: “Para PFL (hoje DEM), PSDB e PPS fazer denúncia moralista só funciona na crença, amplamente presumida por eles, de que a mídia os protegerá. Na medida em que a média começa a não ser mais o bloco oligárquico e nepotista que é a mídia brasileira, eles vão ter que recorrer a esses métodos do coronelismo do século XVIII e XIX.”

Outro deputado da frente, Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), também repercutiu a notícia no microblog: “Não adianta boicotar: a notícia chega.”

O suposto sumiço das revistas em Goiás também causou reação do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ): “Soube agora que há carro sem placa recolhendo a @cartacapital das bancas. A capa da revista é sobre os tentáculos do Cachoeira no poder.”

O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) também ironizou a situação via Twitter: “Alô, Mino Carta, mande um estoque extra da CartaCapital pra Goiânia, tem gente comprando todas as edições pra coleção particular.”

Diante das suspeitas, o governador tucano, provavelmente já sabendo do teor das acusações, afirmou pelo Twitter na sexta-feira 30: “Quero tranquilizar todos os goianos que acreditam neste governo: nossas ações e atitudes são todas republicanas, transparentes e honestas.

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