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Copa do Mundo 2014

Quem merece um chute no traseiro?

por Redação Carta Capital — publicado 09/03/2012 11h16, última modificação 09/03/2012 11h38
A crise com a Fifa foi apaziguada, mas o Brasil de fato decepciona

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, respondeu na quinta-feira 8 o pedido de desculpas da Fifa, após as declarações do seu secretário-geral, Jèrôme Valcke, segundo quem o Brasil precisava de “um chute no traseiro” para erguer a tempo a infraestrutura da Copa de 2014. O governo aceitou as desculpas, e Valcke deverá vir ao País na próxima semana. Na carta enviada ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, Rebelo diz que o dirigente será recebido por Dilma Rousseff. Só não confirmou a data do encontro.

O gesto encerrou o infantil bate-boca protagonizado por autoridades brasileiras e representantes da Fifa. Graças às rudes palavras de Valcke, o secretário-geral da entidade chegou a ser chamado de “vagabundo” pelo assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e ameaçado por Rebelo de perder o posto de interlocutor com o governo.

CartaCapital não nutre qualquer simpatia pelo senhor Valcke, que já se envolveu em tramoias de toda espécie na Fifa, algumas delas relatadas anteriormente pela revista. Mas é forçada a reconhecer: apesar da forma grosseira, a crítica de Valcke é válida. Os estádios deverão estar prontos para o evento, mas as obras de infraestrutura, sobretudo as de mobilidade urbana, estão muito atrasadas. Várias obras, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Fortaleza e o de Manaus ainda não começaram. Outras, como monotrilho paulista, já estão descartadas.

No ano passado, 17 dos 20 maiores aeroportos do País operavam acima de sua capacidade, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Dez dos 13 terminais relacionados à Copa não devem ficar prontos até 2014 e, se concluídos a tempo, seriam inaugurados com a capacidade defasada, avalia o Ipea. Além dos questionamentos relacionados ao legado deixado pelo Mundial, também sobram dúvidas quanto à criação de “elefantes brancos”. As arenas que estão sendo erguidas em Brasília, Cuiabá, Manaus e Natal, por exemplo, poderão abrigar no mínimo 40 mil torcedores, embora os campeonatos locais costumem ter bilheteria inferior a um quarto dessa capacidade.

P.S.: Na quinta-feira 8, o chefão da CBF, Ricardo Teixeira, enredado em uma série de escândalos de corrupção, pediu afastamento do cargo por razões médicas. A licença valerá por 60 dias (LEIA MAIS ). Apesar da saída, tudo fica como está: quem assume interinamente o comando da entidade é o vice José Maria Marin, aliado de Teixeira e ligado à Federação Paulista de Futebol. Marin tem 79 anos e foi governador de São Paulo na ditadura, entre 1982 e 1983, sucedendo Paulo Maluf.