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Política

O PT em 2012

Isolado em SP e pressionado em Brasília

por Gabriel Bonis publicado 08/03/2012 18h54, última modificação 06/06/2015 18h27
No momento em que busca apoio para eleições, aliados cobram a fatura pelo apoio de Dilma

O PT chega enfraquecido às eleições em São Paulo após a fracassada aproximação com o PSD e o elevado número de candidatos da base do governo federal à prefeitura da cidade. O cenário deverá reduzir o arco de alianças em torno de Fernando Haddad e, consequentemente, afastar o candidato petista dos eleitores que não costumam votar no partido.

A análise é de Marco Antonio Carvalho Teixeira, doutor em Ciências Sociais e especialista em eleições. Em entrevista a CartaCapital, ele disse ver na escolha de Haddad uma tentativa de atrair um amplo leque de partidos à coligação, incluindo siglas de centro e esquerda. Sem o PSD e com aliados ensaiando candidatura própria ou aproximação com o PSDB de José Serra, o PT entraria no páreo com tempo menor no horário eleitoral gratuito e o diálogo restrito ao seu eleitorado fiel.

Oficialmente, o comando do PT diz não haver "isolamento", já que mantém negociações com todos 0s partidos da base governista, pensando inclusive no segundo turno da disputa em São Paulo. “Seria um erro tentar impor a retirada de uma candidatura”, disse Edinho Silva, presidente estadual do partido, em entrecista recente a CartaCapital.

Mesmo assim, com tantos nomes na disputa e a sete meses das eleições, Haddad ainda figura como lanterna nas pesquisas de intenção de voto - aparece com 3% no último Datafolha. Apesar do resultado, o professor da Fundação Getúlio Vargas diz acreditar que o petista irá ao segundo turno. Isso porque terá do seu lado o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidenta Dilma Rousseff e da senadora Marta Suplicy.

Por outro lado, o analista considera a aproximação com o PSD “um desastre” para a imagem do partido, que se opunha ao governo do prefeito Gilberto Kassab, e enxerga uma aliança com o PSB, hoje, como improvável. “Apesar da vontade da direção nacional do partido em se aliar ao PT, a legenda socialista deve ficar com o PSDB, porque integra os governos estadual e municipal.”

A situação de isolamente se agrava no momento em que o maior aliado em Brasília, o PMDB, começa a cobrar a fatura pelo apoio da última eleição presidencial. O PMDB, que não abre mão da candidatura de Gabriel Chalita em São Paulo e deverá enfrentar o PT em outras 11 capitais, mostra-se descontente com sua posição no governo. A bancada dos deputados peemedebistas entregou na terça-feira 6 ao vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB, Michel Temer, um manifesto contra o governo do petista.

Assinado por mais de 50 dos 76 parlamentares peemedebistas na Câmara, o documento critica a maneira de atuação do governo excluindo o partido de decisões importantes.

Segundo Teixeira, o vice-presidente não repreendeu o manifesto porque está pressionado entre o governo e sua liderança no partido. “Temer tem agido como um bombeiro nas tensões do PMDB com o governo, mas precisa também manter sua autoridade entre os peemedebistas que o procuram descontentes. O silêncio dele em relação ao manifesto, provavelmente, vem desta constatação."

O PMDB, que considera estar no comando de ministérios pouco importantes e sem repercussão política, acaba de impor uma derrota política à presidenta. O Senado não aprovou a recondução de Bernardo Figueiredodo, assessor de confiança da presidenta, para a direção-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

“Neste momento, o partido não tem o mesmo tratamento que dispunha com Lula, com pastas mais interessantes do ponto de vista eleitoral, como Comunicação e Saúde. Por trás desta revolta, está a vontade de retomar esses cargos que têm volumosos recursos e ligações diretas com inúmeras prefeituras.”

O professor ainda destaca que a relação conflituosa entre PT e PMDB deve se estender por diversos estados nas eleições municipais, salvo no Rio de Janeiro.

O partido, diz, tem como histórico a luta por mais espaço dentro dos governos e desta vez tem intenções maiores que se opõem aos do PT. “A estratégia dos peemedebistas para ampliar sua influência é muito bem calculada, porque este é o momento de alianças. Ou há uma cisão ou começam a cristalizar."

“O PMDB está construindo um projeto próprio e ter candidatura aos cargos de grande influência é algo que não conseguia realizar antes, por estar fragmentado regionalmente", destaca o analista. "Temer conseguiu dar um caráter mais homogêneo e nacional ao partido.” Algo que, segundo ele, torna ainda mais difícil a vida do governo, que já não negocia com alas de um partido - mas com uma legenda, dona da segunda maior bandaca do Congresso, com posição unificada.

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