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Política

Eleições 2016

Romário racha PSB com apoio a Crivella

por Nivaldo Souza — publicado 07/10/2016 18h04, última modificação 07/10/2016 20h43
Dividida entre Freixo e neutralidade, cúpula socialista no Rio cobra da nacional ‘puxão de orelhas’ no ex-camisa 11 por voto no PRB
Divulgação
Romário

Romário participa de evento de campanha ao lado de Crivella

O PSB está rachado no Rio de Janeiro, após a decisão do senador Romário de apoiar Marcelo Crivella (PRB). O apoio formalizado ainda no primeiro turno pelo ex-camisa 11 da seleção brasileira foi à revelia da orientação do PSB, cujo presidente estadual e deputado federal Hugo Legal concorria como vice na chapa de Índio da Costa (PSD). A irritação com Romário foi discutida em reunião desta sexta-feira 7 entre as executivas municipal e estadual da legenda socialista.

Os integrantes da cúpula do PSB no Rio decidiram pedir ao comando nacional do PSB para dar um ‘puxão de orelhas’ em Romário. Em decisão na noite de hoje, a executiva nacional decidiu pelo "apoio irrestrito" a Freixo no segundo turno. Foi uma derrota de Romário.

A executiva já havia decidido que os apoios em cidades com mais de 200 mil eleitores deveria passar pelo crivo da cúpula em Brasília, está irritada com o fato do senador apoiar Crivella sem consultar a executiva.

A movimentação de Romário irritou PSB antes mesmo da escolha dele por Crivella. O partido havia decidido que lançaria candidatura própria em todas as cidades possíveis, especialmente nas capitais e centros urbanos com mais eleitores, com a meta de evitar a perda de prefeituras.

Embora o PSB tenha perdido apenas 29 cidades das 442 que governa até 31 de dezembro, a legenda recuou de 17 para 7 cidades em centros urbanos com mais de 150 mil eleitores. O partido disputa em outra nove cidades – incluindo Aracaju, Goiânia e Recife.

Siqueira
Presidente do PSB, Carlos Siqueira, é um dos mais irritados com Romário

Romário vinha insistindo em se lançar à prefeitura do Rio. Contudo, às vésperas da convenção do partido ele desistiu. A desistência jogou o partido na vice de Índio da Costa, que ficou em quinto lugar na corrida pelo Executivo da capital fluminense, com 9% dos votos válidos.

Embora Índio não tivesse chances de vencer a disputa municipal, Leal se sentiu traído por Romário quando, em 21 de setembro, o senador declarou publicamente que apoiaria Crivella.

O mal-estar gerou uma divisão com impacto no posicionamento do PSB neste segundo turno. Parte do comando estadual e municipal do partido no Rio desejava apoiar Marcelo Freixo (PSOL). Outra parte, incluindo Leal, defendia a neutralidade.

O cálculo do ex-candidato a vice era de que seu eleitorado católico reagiria mal a subida dele no palanque tanto de Freixo, devido à defesa da legalização do aborto e das drogas, quanto de Crivella, sobrinho de Edir Macedo, fundador da Universal do Reino de Deus.

A decisão foi transferida para a executiva nacional do PSB, o optou por Freixo nesta noite. O presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, defendia internamente que o PSB apoiasse Freixo como forma de manter o partido no campo da esquerda. Pesou nessa decisão também o fato de que Siqueira é um dos socialistas mais irritados com as escolhas individuais de Romário.

O PSB entende internamente que Romário apoie Crivella de olho no governo do estado em 2018. As movimentações dele, contudo, aumentaram o desejo de parte do PSB para que o senador deixe o partido. "O Romário faria um favor enorme ao PSB se deixar o partido”, diz um pessebista.

A avaliação é de que Romário, embora tenha recebido 4 milhões de votos para o Senado em 2014, não acumula a força necessária para disputar o Executivo fluminense.

A conclusão entre integrantes do PSB nacional é que os ex-camisa 11 tem baixo potencial de voto para o governo. Isso teria ficado claro na eleição municipal do último domingo 2. O cálculo é de que Crivella não cresceu maciçamente após o apoio do senador socialista a sua candidatura.