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Política

Minas Gerais

Prima de Cachoeira foi empregada com ajuda de Aécio

por Redação Carta Capital — publicado 24/04/2012 11h58, última modificação 06/06/2015 18h23
Dias antes de nomeação para cargo em Uberaba, ex-governador é tucano é citado em conversas entre o bicheiro e Demóstenes Torres

Sabe aquela conversa sobre critérios técnicos e meritocracia como a solução para combater “loteamento” de cargos públicos no governo federal? Cabe bem ao discurso tucano em época de eleição, mas de perto o assunto muda de figura – e a pimenta espirra no olho.

Pois a “meritocracia” defendida aos berros pela oposição passou longe da escolha da diretora regional da Secretaria de Estado de Assistência Social em Uberaba Mônica Beatriz Silva Vieira. Ela assumiu o posto em 25 de maio do ano passado. Para chegar lá, o currículo foi o que menos importou. Bastaram 12 dias e sete telefonemas das pessoas certas na hora certa: um bicheiro, um senador pau mandado e um ex-governador com pretensões de chegar à Presidência.

É o que apontam as escutas telefônicas da Polícia Federal reveladas pelo jornal O Estado de S.Paulo. Nas conversas, interceptadas com autorização judicial, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) é escalado para levar um pedido do contraventor Carlinhos Cachoeira ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). A ordem era para conseguir um emprego para Mônica Vieira, prima do bicheiro. Aécio disse desconhecer que o pedido favoreceria o contraventor.

Além dele, de acordo com a reportagem, são citados nos grampos os o ex-prefeito de Uberaba Marcos Montes (PSD), ex-prefeito de Uberaba, e Danilo de Castro, articulador político de Aécio no estado e secretário de Governo do governador Antonio Anastasia (PSDB).

“É importantíssimo pra mim. Você consegue por ela lá com Aécio... em Uberaba, pô, a mãe dela morreu. É irmã da minha mãe”, mendiga o contraventor em 13 de maio de 2011, na primeira vez em que Aécio é citado. Demóstenes, então, responde. “Tranquilo. Deixa eu só ligar pro rapaz lá. Deixa eu ligar pra ele.”

Quem tem amigo tem tudo. E o possível tráfico de influência pode ser mais uma das tantas artimanhas da confraria Cachoeira a ser investigada pela CPI mista do Congresso.

De toda forma, o contraventor, que usava Demóstenes para interceder por seus interesses em Brasília, pode usar o antes santo nome do senador para se livrar de uma possível condenação. Segundo noticiou a Folha de S.Paulo, Cachoeira pediu à Justiça a anulação das provas obtidas pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo com o argumento de que Demóstenes, por ter foro privilegiado, não poderia ser investigado sem autorização do Supremo Tribunal Federal.

O argumento é facilmente desmontável, já que a acusação pode alegar que senadores e governadores foram apenas citados nos grampos, e não alvo da investigação em si. Mas a história recente de um país que livrou Daniel Dantas da prisão com argumentos parecidos manda o alerta.

O pedido é assinado pelos dois advogados de Cachoeira, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e Dora Cavalcanti. A Justiça ainda não se manifestou.