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Política

Guerra de Versões

'Preciso tomar cuidado com quem não gosta de mim'

por Redação Carta Capital — publicado 30/05/2012 19h36, última modificação 30/05/2012 19h41
Em evento em Brasília, o ex-presidente Lula responde às insinuações do ministro do STF Gilmar Mendes
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Lula durante palestra no 5º Fórum Ministerial de Desenvolvimento, em Brasília, nesta quarta-feira 30. Foto: Pedro Ladeira / AFP

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou nesta quarta-feira 30 sobre a polêmica com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que o acusa de oferecer apoio na CPI do Cachoeira em troca do adiamento do julgamento do mensalão.

Sem entrar em detalhes, Lula usou sua popularidade para responder ao ministro publicamente: afirmou que precisa ter cuidado com uma minoria que não gosta dele. A declaração foi feita ao chegar ao púlpito onde proferiu palestra em um evento da ONU em Brasília.

Segundo o relato da Folha de S.Paulo, Lula afirmou: "Vou falar de pé, porque senão podem dizer que eu estou doente. Pra evitar esses pequenos dissabores [...] Você sabe que tem muita gente que gosta de mim, mas tem algumas que não gostam. Eu tenho que tomar cuidado contra essas. São minoria, mas estão aí, né, no pedaço", afirmou.

Em nota divulgada no começo da semana, o ex-presidente havia manifestado indignação com a versão apresentada por Gilmar Mendes à revista Veja – segundo a qual, informado que o ministro poderia se complicar na CPI em razão de uma viagem supostamente paga por Cachoeira, Lula o teria chantageado. Mendes apresentou documentos na terça-feira mostrando que pagou as viagens com dinheiro próprio.

O ex-presidente argumenta ter nomeado boa parte dos ministros do Supremo (Mendes não é um deles) e que jamais interferiu nas questões do Judiciário em oito anos de governo.

A guerra de versões monopoliza a cobertura política da mídia há quatro dias, com direito a editoriais bancando o relato de Veja e acusando uma suposta crise institucional.

A história, estranha até agora, segue com perguntas até então não respondidas, como por exemplo o fato de Gilmar Mendes ter levado quase um mês para dar publicidade à “oferta”.