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Política

Rosa dos Ventos

O tabuleiro de Aécio

por Mauricio Dias publicado 23/07/2012 09h14, última modificação 23/07/2012 09h14
O senador implodiu a aliança entre PSDB e PT em Belo Horizonte de olho na corrida presidencial de 2014
Em discurso na tribuna do Senado, senador Aécio Neves (PSDB-MG)

Cálculo. Mesmo a derrota, em 2014, abre caminhos. Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

Aécio Neves será candidato a presidente da República em 2014. É o destino, dirão os aliados. Ele se preparou a vida inteira para isso, insinuarão os desafetos de José Serra, no PSDB. Agora é óbvio, antes não era. Isso, por circunstâncias políticas, e não por predestinação. Um ditado mineiro, aliás, explica a decisão do ex-governador de Minas: sapo pula por necessidade e não por belezura. Por isso, Aécio implodiu a aliança entre o PSDB e o PT que, em 2008, elegeu Marcio Lacerda (PSB) à prefeitura de Belo Horizonte. A ruptura foi vista ora como ousadia, ora como audácia. Nada disso. Essas não são características de políticos mineiros. Menos ainda as características desse neto do hábil e cauteloso Tancredo Neves.

Sem opção tucana em Minas, o PSDB usou um quadro do PSB. Veja o que afirma, submetido ao fato consumado, o governador Eduardo Campos (PE), presidente nacional do PSB: “O Marcio é mais aecista que socialista”.

Marcio Lacerda é um trunfo político de Aécio Neves no jogo nacional. Se Lacerda for reeleito para a prefeitura de BH, disputará o governo do estado, em 2014, com Aécio na competição para a Presidência. Em razão disso, a eleição de agora na capital mineira ganha mais importância. Talvez até maior que o confronto na capital paulista.

Sem opção é a solução dos tucanos. E competir, em 2014, é uma excelente opção para ele. Essa etapa se encaixa naturalmente nos planos de Aécio. Além disso, as circunstâncias internas no partido o favorecem. Por essa razão, está predestinado a concorrer. Mesmo ciente de que pode perder. Aos 52 anos ainda tem mais tempo na política.

Os eventuais adversários internos do tucano mineiro seriam dois tucanos paulistas: o governador Geraldo Alckmin, derrotado em 2006, e o ex-governador José Serra, derrotado em 2002 e 2010. Os dois, no entanto, estão fora da disputa presidencial.

Vejamos Serra. Se perder a eleição para a prefeitura, desaparecerá. Se vencer, vai readquirir força interna no PSDB sem nenhuma condição, no entanto, de abandonar a prefeitura, em 2014. Por isso anunciou que adormeceu o sonho presidencial até 2016. Desta vez, entretanto, vai valer a palavra dada.

Alckmin, governador, quer a reeleição, em 2014. E estará pronto para o que der e vier em 2018. Para essa data, tem um acordo com Aécio. Especula-se sobre o teor do compromisso: o paulista pode ser candidato a vice.
O fator Alckmin pode inibir as reações de Serra contra Aécio.

A situação externa, diferentemente da interna, é muito adversa. Para ganhar a eleição, Aécio dependerá do desmoronamento completo da economia brasileira. Só isso. Nada mais, nada menos, desconsiderando o sobrenatural e admitindo somente os fatores essenciais de análise. Sem essa catástrofe, a candidatura dele terá de cruzar um céu de nuvens pesadas e atravessar um mar proceloso.

É o que projetam, por exemplo, as pesquisas de intenção de voto. Em momento tão distante da eleição, pesquisa é, mais ainda, apenas uma referência do momento, mas é também um ponto de partida. Pesquisas de intenção de voto, com variados cenários, indicam hoje Dilma com índices acima de 60%. Serra alcança 15% e Aécio 10%. Mesmo a derrota, em 2014, servirá como plataforma para a consolidação e a projeção nacional do nome dele para a etapa seguinte.
Em 2018, o “predestinado” mineiro terá mais chances, embora ações políticas que dependem de dois movimentos para dar certo sejam sempre mais arriscadas.

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