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Política

Análise

O retrato da política brasileira: branca, masculina e proprietária

por Carmela Zigoni — publicado 05/10/2016 16h14, última modificação 06/10/2016 14h30
As mulheres negras somaram somente 32 eleitas vereadoras e nenhuma para o cargo de prefeita
Marcello Casal / Agência Brasil
Eleições 2016

Eleitores aguardam para justificar o voto em Brasília, no domingo 2

O resultado das eleições 2016 não surpreendeu no que diz respeito à diversidade das candidaturas com relação ao perfil racial e de gênero dos candidatos. De um total de 493.534 candidaturas em todo o Brasil, sendo 156.317 candidaturas do sexo feminino (apenas 14,2%), se elegeram 607 mulheres (0,12% do total) para o cargo de prefeitas e 107 para o cargo de vereadoras nas capitais. 

As mulheres pretas e pardas somaram somente 32 eleitas vereadoras e nenhuma para o cargo de prefeita. As capitais São Luís, Recife, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Aracaju e São Paulo não elegeram nenhuma mulher preta ou parda para o cargo de vereadora.

A boa notícia do pleito é a eleição de duas vereadoras negras que alcançaram o primeiro lugar, ou seja, foram as mais votadas de seus municípios: Aurea Carolina, em Belo Horizonte, com 17.420 votos, e Taliria Petrone, em Niteroi, com 5.121 votos, ambas do PSOL. 

Os homens brancos, portanto, dominaram o pleito nas capitais, tendo elegido 62,9% prefeitos no 1º turno e 49,8% dos vereadores nas capitais. Homens negros (pretos + pardos) somaram 36% dos vereadores eleitos nas capitais brasileiras; somente os que se auto-declararam pretos somaram 5,2. E os indígenas conseguiram eleger 1 vereador, na capital de Roraima.

Carmela Zingoni é assessora política do Inesc. Tratamento da base de dados do TSE (dados do infográfico): Luciana Guedes

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