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Política

Eleições em São Paulo

O PT à espera de Marta Suplicy

por Gabriel Bonis publicado 05/03/2012 17h03, última modificação 06/06/2015 18h21
Ao lado de Lula e Dilma, senadora é vista como peça 'fundamental' para deslanchar campanha de Fernando Haddad na capital paulista
Marta Suplicy

A senadora Marta Suplicy assume o lugar de Ana de Holanda no MinC. Foto: Antonio Cruz/ABr

Preterida pelo PT para a disputa da prefeitura de São Paulo de 2012, a senadora Marta Suplicy é vista pelo diretório paulista do partido como peça "fundamental" para a viabilizar a eleição de Fernando Haddad na capital. Principalmente para inserir o candidato nas camadas do eleitorado da periferia.

“Ela é uma liderança fundamental na campanha, pela imagem que possui em São Paulo, pela memória do governo e por defender a criação de políticas públicas que melhoraram a qualidade de vida da população pobre de São Paulo”, diz Edinho Silva, presidente do PT de São Paulo, em entrevista a CartaCapital.

 

 

 

A declaração acontece um dia após pesquisa Datafolha mostrar que Haddad alcança apenas 3% das intenções de voto entre os eleitores paulistanos. José Serra, que ainda enfrenta prévias no PSDB contra Ricardo Tripoli e José Anibal, lidera com 30%, contra 21% do levantamento anterior.

Marta Suplicy, antes líder nas pesquisas, anunciou a desistência da disputa em novembro de 2011, após pressão do partido para a escolha de Haddad, nome preferido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A senadora petista sacramentou o enterro de sua pré-candidatura depois de uma conversa reservada com a presidenta Dilma Rousseff, que a chamou de “a melhor prefeita que São Paulo teve" e destacou sua importância no Congresso.

À época, Marta afirmou que apoiaria o nome escolhido pelo PT, mas se isolou após a decisão. Em fevereiro deste ano, criticou as negociações do partido para uma aliança com o prefeito da cidade e presidente do PSD, Gilberto Kassab. “Tenho o direito de não mergulhar de cabeça e aguardar a decisão do meu partido sobre a aliança. Preciso ser muito cuidadosa, porque senão corro o risco de acordar num palanque de mãos dadas com Kassab”, disse.

 

Devido às negociações com Kassab, que a venceu nas eleições de 2008, Marta nem sequer compareceu à festa em comemoração aos 32 anos do PT, em Brasília, para evitar um encontro com o prefeito da capital paulista.

Após o fim das tratativas com o PSD, que se aliou ao PSDB depois do anúncio da pré-candidatura de Serra, Marta disse que o PT “errou” e foi “precipitado” na tentativa da aliança, encorajada por Lula.

Resultado “natural”

Sobre o desempenho de Haddad na pesquisa Datafolha, o presidente do PT paulista diz ser “natural”, pois seu candidato nunca disputou uma eleição e o “debate eleitoral ainda está distante das pessoas”. “Só vamos tornar o candidato conhecido com a propaganda eleitoral, debates e campanha. Hoje, quem está atento é quem está na disputa, não o eleitor”, afirma Silva.

De acordo com a pesquisa, Serra é conhecido por 99% dos participantes, contra 41% de Haddad - apenas 10% dos entrevistados associam a imagem do petista como a do candidato de Lula.

Neste mesmo período do ano na campanha de Dilma Rousseff em 2010, 86% dos entrevistados diziam conhecer a ex-ministra, e 59% sabiam que ela era candidata do ex-presidente.

Para Edinho, Serra está em vantagem por ter disputado “todas as últimas eleições no Brasil desde a derrota para Lula em 2002”. “Ele está muito presente na memória do eleitor. Além disso, teve grande exposição na mídia.”

Os petistas também acreditam que a pesquisa foi favorável a Haddad, pois indicou Lula como a liderança com maior capacidade transferência de votos na cidade, além de colocar Dilma no mesmo patamar de influência do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

“Haddad tem uma rejeição administrável, (uma rejeição) mais partidária que dele. Portanto, há uma junção de fatores, que abrem uma avenida imensa para o crescimento no próximo período.”

O diretório estadual do partido acredita ainda que o levantamento trouxe outro aspecto favorável à candidatura de Haddad: 66% dos entrevistados afirmaram crer em um novo abandono de mandato do tucano para concorrer à presidência em 2014. “A desconfiança do eleitor em relação a ele é grave, pois é preciso considerar que ele não concluiu seus mandatos nas ultimas eleições.”

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