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Política

Eleições 2014

O novo partido de Marina Silva

Em São Paulo, a senadora da pontapé inicial para sua nova sigla, mas sem propostas claras
por Piero Locatelli publicado 23/01/2013 09:42, última modificação 23/01/2013 13:46
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A ex-senadora Marina Silva deu mais um passo rumo à sua candidatura à presidência em 2014 na noite desta terça-feira 22. Em São Paulo, integrantes do “movimento por uma nova política” apoiaram a criação de uma legenda que poderá abrigar o nome dela na próxima eleição.

Terceiro lugar nas eleições de 2010, Marina não fala abertamente numa candidatura desde que saiu do PV, naquele mesmo ano. Alguns de seus correligionários, porém, são menos tímidos. A ex-senadora foi recebida com gritos de “Brasil, urgente, Marina presidente” ao entrar em um teatro lotado na Vila Madalena, bairro da zona oeste paulistana.

O movimento que deve fundar o trigésimo primeiro partido do país foi formado na internet, rescaldo da campanha de Marina nas redes sociais em 2010. Em sua carta de princípios, defendem a sustentabilidade e dizem que “não há separação real entre homem e natureza. O antropocentrismo é uma ilusão que pode ser separada”.

Durante o evento, Marina também tentava mostrar que o partido não existiria só para servi-la. “Não se faz um partido só por causa de eleição, senão teríamos feito naquela época (nas eleições de 2010)”, disse a ex-senadora. Até agora, a futura legenda tem sido tratada como "partido da Marina", rótulo rejeitado pela provável candidata. Entre os possíveis nomes levantados, estavam Partido da Democracia Direta, Partido Movimento Já e Brasil Vivo.

Gritos de “rou”

O evento na Vila Madalena seguiu uma dinâmica distinta dos encontros políticos convencionais. Logo no começo, um “sonhático”, como se intitulam os integrantes, explicou como funcionaria o diálogo durante a noite. “As pessoas vão ter sempre espaço para falar, mas se você se sentir contemplado numa fala, não precisa ir lá na frente. Somente fale “rou”. O que se viu nas três horas seguintes foi uma sequência quase ininterrupta de pessoas gritando “rou”.

No centro do teatro, a Sala Crisantempo, ficavam bancos iluminados em que as pessoas se revezavam para falar. Apesar do movimento se dizer não hierarquizado, quem ficava próximo ao centro eram políticos e empresários. Entre eles, estavam o deputado federal Walter Feldman (PSDB) e o vereador paulistano Ricardo Young (PPS), sentados ao lado de Marina Silva.

O empresário Guilherme Leal, dono de uma fortuna de 1,6 bilhões de dólares segundo a revista Forbes, também estava no centro do local. Leal foi o candidato à vice de Marina na última eleição. Maria Alice Setúbal, herdeira do banco Itaú,  também ocupava um dos melhores lugares.

Sustentabilidade é a única proposta

Logo no começo do evento, Pedro Ivo, um dos coordenadores do movimento, tentou resumir a ideia do grupo. “Estamos construindo uma nova utopia, um novo projeto político e ideológico baseado na sustentabilidade”, disse. Em seguida, falou que poderiam se aliar a outros movimentos, citando o dos vegetarianos, dos protetores dos animais e dos catadores de lixo. Movimentos sociais e sindicatos não constaram na lista.

Propostas específicas foram raras na noite. Numa das poucas aparições, uma militante pediu uma auditoria da dívida externa, mas não recebeu muitos “rous” e a discussão prosseguiu sem que o assunto voltasse. No restante do tempo, as palavras ética, sustentabilidade e valores eram as mais comuns.

Questões concretas estão totalmente em aberto. “Todo nós aqui podemos ter causas diferentes. Uns defendem a descriminalização da maconha, outros são contra. Uns são a favor do aborto, outros são contra,” disse Marina Silva, deixando suspensa a posição do movimento em temas cruciais. Em sua fala final, Marina ainda disse que PSDB e PT falharam em não lidar com os “problemas do século vinte e um”, que o seu movimento quer tratar.

Assim como as propostas, os futuros filiados ao partido ainda são incertos. Além dos presentes, outra candidata derrotada à presidência, Heloisa Helena (PSOL), deve buscar a nova legenda. Congressistas como o deputado federal José Antônio Reguffe (PDT-DF) e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também já participaram de encontros do movimento e são considerados certos. A inclusão do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que não deve ter espaço em seu partido para concorrer à reeleição, é uma possibilidade em aberto.

Partido precisa ser criado até outubro

O objetivo agora é a criação de um novo partido político. Os presentes no encontro em São Paulo, de diversos lugares do país, foram unânimes em defender a proposta. A decisão final será tomada num encontro em Brasília no dia 16 de fevereiro. Para que Marina seja candidata, o partido deve estar funcionando até outubro deste ano. Até lá, o estatuto deve ser publicado, as assinaturas devem ser coletadas e a Justiça deve aprová-lo. Perguntada por jornalistas sobre o necessário trâmite burocrático, Marina desconversou.

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