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Política

Andante Mosso

Na hora H

por Mauricio Dias publicado 24/07/2012 05h27, última modificação 24/07/2012 05h27
No dia 2 o STF começará o julgamento do mensalão. O caso expõe que a coalizão partidária é possível politicamente, mas, financeiramente, não
fusca

Ditadura. O carro de dom Eugênio salvou militantes caçados pelo regime

Na hora H – 1
Na próxima semana o Supremo Tribunal Federal começará o julgamento daquilo que a imprensa denominou de “mensalão do PT” iniciado com uma denúncia do então deputado Roberto Jefferson, em 2005.

Há fatos, inegáveis, de que o PT ofereceu ajuda financeira ao PTB para a eleição municipal de 2004. O caso expõe uma dramática situação criada pela Justiça Eleitoral: a coalizão partidária é possível politicamente, mas, financeiramente, não.

Na hora H – 2
Será que todos os ministros estão guarnecidos pela incompatibilidade? Há documentos que
o STF desconhece capazes, no entanto, de provocar dúvidas sobre a isenção de alguns juízes que estão prontos a votar.

Essa papelada não foi enviada pelo Ministério Público mineiro para o STF. Mas, cedo ou tarde,
ela vai aparecer.

Se esse fusca falasse...
Em 2010, Ricardo Sá, dono da InterView, conceituada ótica do bairro de Ipanema, no Rio, colecionador de carros antigos, comprou por 1,6 mil reais uma raridade: o Volkswagen, placa
LDX-4128 , azul-cobalto, de 1969 (foto, durante a restauração).

Era o carro particular de dom Eugênio Sales, falecido recentemente. Ainda cheirava a novo
quando, nos anos 1970, foi usado em ações discretas do então arcebispo do Rio de Janeiro,
para dar cobertura a militantes de esquerda caçados pela ditadura. Padre conservador,
dom Eugênio abençoava o regime, mas condenava as torturas.

Se esse Fusca falasse, seria testemunha importante na Comissão da Verdade.

Pente-fino I
A justiça eleitoral do Rio de Janeiro usa pente-fino na lista dos candidatos que se apresentaram para a disputa municipal. Os dois principais concorrentes a prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo (PSB) e Bernardo Rossi (PMDB), entraram na listagem dos inelegíveis.

Com isso, a disputa ficará restrita entre a reeleição de Paulo Mustrangi (PT) e a eleição de Nelson Sabrá (PDT). Os dois, até então, faziam parte do “segundo time” dos postulantes.

Pente-fino II
O Tribunal Eleitoral do Rio promete decidir todas as impugnações até o dia 25. Nesse sentido tem, em breve, encontro marcado com a candidatura da ex-governadora Rosinha Garotinho.
Ela busca a reeleição em Campos, importante cidade do norte fluminense.

O marido, Anthony Garotinho, ex-governador, é notório e agressivo contestador de certas decisões da Justiça estadual. Há quem tema que esse confronto influencie a decisão sobre a candidatura dela.

É a economia, estúpido
A oposição brasileira, como se sabe, esmera-se na procura de pelo em ovo. Isso é bom para o PT, mas é ruim para o processo democrático. Estudos feitos pelo Ipea mostram a razão pela qual
a oposição tem dificuldade para construir um programa antigovernista.

O Índice de Expectativas das Famílias (IEF), realizada em 3.810 domicílios, distribuídos por mais de 200 municípios em todas as unidades da federação assinala um aumento do otimismo das famílias brasileiras em relação à situação socioeconômica do país (tabela).

A oposição propaga pessimismo. A população, no entanto, é otimista.

Coalizões
Após quase dois anos e várias decepções, os estrategistas do governo perceberam que a base de apoio no Congresso, com dez partidos, não oferece segurança.

O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos nunca acreditou mesmo na gordura dessas “coalizões de segurança máxima que prometem vitórias com significativo excedente
de votos”. E explica:

“Operacionalmente aumenta em tempo o custo de transação em busca de consenso, inflacionam o preço da adesão e, com frequência, não são confiáveis no cumprimento
dos acordos”.

Ele acha a redução salutar, mas joga uma dúvida no ar. Considera “incompreensível”, por exemplo, “a participação do PSD nesse núcleo”. “As bancadas do PSD foram eleitas por siglas variadas e as taxas de derrotas de recandidatos costumam ser elevadas. Não obstante o sucesso inicial da legenda, por razões de cálculo eleitoral dos convertidos, o desempenho dessa legenda tende a decepcionar os que a imaginam como um estabilizado quarto grande partido nacional.”

E há outro porém: “O comportamento futuro do PSD inspira nebulosa incerteza”.

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