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Na CPI, Perillo nega ligação com Carlinhos Cachoeira

por Redação Carta Capital — publicado 12/06/2012 13h41, última modificação 12/06/2012 17h31
Governador de Goiás voltou a dizer que a venda da casa em que Cachoeira foi preso se deu de forma legal
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Perillo (centro) ouve seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, ao chegar à CPI. Foto: Geraldo Magela / Agência Senado

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), negou nesta terça-feira (12), em depoimento à CPI do Cachoeira, que tenha relação de proximidade com o empresário goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. Alvo primordial da comissão, Cachoeira é suspeito de comandar uma esquema criminoso envolvendo jogos ilegais, com a participação de políticos e empresários.

Perillo disse não ter ligações com Cachoeira. "Não há nenhum ato do governo de Goiás em benefício ou na direção do que foi suscitado pela imprensa. Falaram muito, mas nada se concretizou", disse. "Nunca mantive qualquer relação de proximidade com o empresário Carlinhos Cachoeira, embora fosse ele uma pessoa de livre trânsito com políticos do meu estado e com as pessoas mais ricas", completou.

Ele argumentou que as gravações feitas pela Polícia Federal durante a investigações não apontam para uma relação próxima entre eles. "São 30 mil horas de gravações, três anos de gravações e não há nenhuma ligação dele para mim. Apenas uma ligação minha para ele por ocasião de seu aniversário. Se ele era uma pessoa próxima, era natural que ele tivesse acesso ao meu telefone particular", argumentou o governador.

Para tentar provar que não mantinha relação com Cachoeira, Perillo disse que colocou a polícia de seu estado no combate ao crime organizado e às atividades ilegais, supostamente comandadas pelo empresário. Para convencer os deputados e senadores, Perillo citou diálogo, interceptado pela Polícia Federal, entre o empresário e a mulher dele, Andressa Mendonça, no qual ele estaria reclamando da ação do governo. Na gravação citada pelo governador, Cachoeira reclama que tinha vontade de chorar ao "ser tratado como um bandido" e que os negócios de jogos que continuavam funcionando em Anápolis não estavam mais com o lucro esperado. "Essa é a prova do quanto a polícia do meu estado agiu contra a contravenção e contra todo tipo de crime organizado", disse o governador.

Venda da casa foi regular, diz Perillo

Perillo voltou a afirmar que a venda da casa em Goiânia na qual Cachoeira foi preso, em fevereiro deste ano, se deu de forma regular. O empresário Walter Santiago complicou Perillo na semana passada ao afirmar na CPI que pagou 1,4 milhão de reais em dinheiro ao comprar um imóvel do governador, enquanto Perillo diz ter recebido o pagamento em três cheques. Nesta terça, ele sustentou essa versão e jogou a culpa no ex-vereador de goiânia Wladimir Garcez (PSDB), intermediário da venda.

"Quando a casa foi colocada a venda em anúncios de jornal, Wladimir Garcez entrou em contato e manifestou interesse. Acertamos o valor de R$ 1,4 milhão, que se daria em três parcelas, março, abril e maio [de 2011]. Todos os cheques foram depositados e compensados, na mais absoluta prova de boa fé", disse o governador. Perillo disse não saber que Garcez havia tomado empréstimos com terceiros para aquisição da casa. "Só soube disso quando Wladimir Garcez veio aqui, à CPMI, prestar depoimento. Inicialmente ele se apresentou como comprador e depois repassou o negócio", disse Perillo. "Enquanto outros fazem esquemas eu sou acusado de ter vendido uma casa de minha propriedade e dentro da lei", defendeu-se.

Fala do relator causa discussão

Após mais de cinco horas de tranqüilidade no depoimento, uma fala do deputado e relator Odair Cunha (PT-MG) gerou discussões na comissão. Ele indagou a Perillo se ele concordaria em abrir seu sigilo telefônico já que ele estava tão “prestativo” com os trabalhos.

Congressistas tucanos protestaram contra a fala do relator. O presidente da comissão,Vital do Rêgo (PMDB-PB), teve de intervir e pedir o silêncio dos congressistas.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que Cunha estava defendendo interesses do PT ao atacar o governador. Os tucanos também disseram que Perillo não está sendo investigado e é somente uma testemunha.

Marconi Perillo, por sua vez, disse não ver motivo suficiente e fundamentação para quebras de sigilos. “Esta decisão, contudo, não me cabe, cabe à CPI e ao Judiciário. Vocês é que devem tomar tal decisão”.