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Marco Feliciano é acusado de assédio sexual; chefe de gabinete é preso

por Redação — publicado 05/08/2016 22h10, última modificação 05/08/2016 22h44
Jovem de 22 anos acusou Talma Bauer de mantê-la em cárcere privado, para evitar que ela denunciasse o deputado do PSC
Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Marco Feliciano

O deputado Marco Feliciano é acusado de assédio sexual, tentativa de estupro e agressão

O chefe de gabinete do deputado federal Marcos Feliciano (PSC-SP) foi preso nesta sexta-feira 5, após manter em cárcere privado uma jovem de 22 anos que acusa o parlamentar de assédio sexual, tentativa de estupro e agressão. Talma Bauer é acusado de sequestro qualificado, além de coagir a vítima a gravar vídeos em que negava as acusações contra Feliciano. 

Em depoimento à Polícia Civil de São Paulo, Patrícia Lelis, ex-militante da juventude do PSC, afirmou que Feliciano a atraiu para seu apartamento funcional, em 15 de junho, e tentou abusá-la. "Ele tentou levantar meu vestido e tirar minha blusa. Como eu não deixei, ele me deu um soco na boca e um chute na perna”, afirmou aos investigadores, segundo o relato do jornal O Estado de S.Paulo

A jovem teria escapado após uma vizinha ouvir seus gritos e tocar a campainha para saber se estava tudo bem. Ainda de acordo com o relato da jovem, a agressão foi relatada à cúpula do PSC no dia seguinte. Ela recebeu, porém, uma oferta de suborno em troca de seu silêncio. A proposta teria sido feita pelo presidente nacional do partido, Pastor Everaldo, que concorreu à Presidência da República em 2014. 

Desde então, Patrícia passou a ser perseguida e assediada por Bauer. Ela chegou a gravar, em Brasília, uma conversa com o chefe de gabinete de Feliciano, na qual acusa o parlamentar de assédio sexual e agressão. O áudio foi revelado, no início da semana, pelo jornalista Leandro Mazzini, do blog Coluna Esplanada, abrigado no portal UOL

Em entrevista coletiva, o delegado responsável pelo caso, Luiz Roberto Hellmeister, do 3º. DP de São Paulo, confirmou que Bauer atuava para proteger Feliciano. "Ela disse que foi chamada por ele e teria que gravar vídeos, para jogar nas redes sociais, dizendo que nada do que ela havia dito anteriormente sobre o deputado tinha ocorrido". 

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), procuradora da Mulher no Senado Federal, encaminhou, na quarta-feira 3, um ofício ao Ministério Público do Distrito Federal, no qual solicita uma investigação sobre os crimes atribuídos ao deputado. 

“A denúncia é mais um caso de assédio sexual, praticado por figura tida como zelador de direitos e garantias individuais, e mais uma demonstração do cenário machista que compõe nosso parlamento e sociedade. O grave relato da estudante que foi pressionada a sair de Brasília evitando um escândalo precisa ser investigado e a culpa atribuída ao autor do fato”, escreveu a parlamentar.

Marcha contra Feliciano
Marcha contra o deputado Feliciano, organizada pelo movimento LGBT em 2013 (Foto: Valter Campanato/ABr)
Moralismo de fachada?
Pastor da Assembleia de Deus Catedral do Avivamento, Marco Feliciano elegeu-se deputado federal pela primeira vez em 2010, com 212 mil votos. No ano seguinte, chegou à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Casa Legislativa, onde destacou-se pela agressiva agenda contra os direitos da mulher e da comunidade LGBT. 

Feliciano fez intensa mobilização pela aprovação da projeto da "cura gay", que pretendia autorizar psicólogos a tratar a homossexualidade como doença, na contramão de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia. Assumiu, ainda, protagonismo na luta da bancada religiosa contra as propostas de ampliação ao direito do aborto. 

Os holofotes o favoreceram na disputa pelo eleitorado conservador. Nas eleições de 2014, Feliciano quase dobrou o número de sufrágios obtidos do pleito anterior, tornando-se o terceiro deputado mais votado no estado de São Paulo.