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Mais uma vez, CPI adia convocações de Perillo, Agnelo e Sergio Cabral

por Redação Carta Capital — publicado 17/05/2012 15h01, última modificação 17/05/2012 15h04
Comissão aprovou a quebra de sigilo dos escritórios da Delta no Centro-Oeste e pediu o sequestro dos bens de Carlinhos Cachoeira

No vocabulário dos trabalhos legislativos, o sobrestamento é a suspensão temporária da deliberação de um tema. Foi isto o que ocorreu nesta quinta-feira 16 com os pedidos para a CPI do Cachoeira ouvir os três governadores envolvidos com a quadrilha do bicheiro. Na prática, graças a um acordo entre governo e oposição, liderado por PT e PSDB, os governadores Agnelo Queiroz (PT-DF), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Sergio Cabral (PMDB-RJ) continuam sem ter de dar explicações à CPI. Pelo menos por enquanto.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o acordo foi firmado nos bastidores depois de o PT, na companhia do PMDB, cogitar votar nesta quinta a convocação de Perillo. O governador de Goiás é o que tem mais problemas com Cachoeira expostos até aqui. Perillo foi protegido, segundo a Folha, por tucanos que integram a CPI. Estes teriam reagido ameaçando pedir a convocação de Cabral e Agnelo. Nesta quinta, parlamentares negaram na CPI que existisse tal acordo, mas o relator, Odair Cunha (PT-MG), alegou que seria melhor esperar para chamar os governadores e foi apoiado. Os senadores Pedro Taques (PDT-MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), não incluídos no acordo, disseram que adiar a convocação era "jogar o lixo para debaixo do tapete".

Ainda de acordo com a Folha, em troca da não convocação de Perillo, o PSDB teria aceitado a quebra de sigilo da construtora Delta apenas na região Centro-Oeste. Os membros da CPI debateram este tema por uma hora e meia e, no fim, concordou-se em quebrar o sigilo da construtora apenas nos três estados do Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), além do Distrito Federal e do Tocantins. Com isso, ficou adiada também a convocação do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish.

Auxiliares de governadores são convocados

Nesta quinta, mais de 70 pessoas foram convocadas para prestar depoimento à CPI. Entre elas estão familiares de Cachoeira, como Andréa Aprígio (ex-mulher), Adriano Aprígio (ex-cunhado), Sebastião de Almeida Ramos (pai), Marcos Antonio de Almeida Ramos (irmão) e Leonardo Ramos (sobrinho). Leonardo teria comprado uma casa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Outros convocados são o chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz, Claudio Monteiro, e o irmão do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), o procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres. O irmão do ex-senador do DEM é suspeito de ter favorecido Cachoeira a pedido de Demóstenes.

Também foram quebrados os sigilos fiscal, bancário e telefônico de pessoas físicas e jurídicas envolvidas com a quadrilha liderada por Carlinhos Cachoeira. Entre eles estão Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, um dos principais auxiliares do bicheiro, e Claudio Abreu, ex-diretor da Delta Construções para a região Centro-Oeste. Segundo o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), todas as quebras são necessárias para dar subsídios à continuidade dos trabalhos da comissão.

Cachoeira e o sigilo das operações

Um dos principais requerimentos aprovados nesta quinta envolve o próprio Carlinhos Cachoeira. Os parlamentares pediram à 11ª Vara Federal em Goiânia e ao Supremo Tribunal Federal (STF) que determinem o sequestro dos bens do contraventor.

Outro requerimento importante pedido pela CPI é aquele em que a comissão faz um “apelo” ao STF para a quebra do sigilo das Operações Vegas e Monte Carlo da Polícia Federal. As duas operações investigaram o esquema envolvendo Cachoeira.

Imprensa

O senador Fernando Collor (PTB-AL) apresentou à CPI um requerimento específico para obter os áudios em que o jornalista Policarpo Júnior, da revista Veja, é citado. O jornalista aparece em cerca de 200 conversas com Cachoeira. Collor e outros parlamentares querem saber se a relação entre os dois tinha alguma ilegalidade. O requerimento foi derrubado pelo relator, Odair Cunha (PT-MG). Ele afirmou que os áudios em que o jornalista é citado já estão à disposição da CPI e, portanto, não seria necessário um requerimento específico para isso.

O debate foi acirrado sobre o tema e alguns parlamentares acusaram outros de ameaçar a liberdade de imprensa. O relator se mostrou irritado com a insinuação. Segundo Odair Cunha, a CPI investiga condutas e “não busca fazer investidas contra a imprensa". Em um segundo momento, a direção da CPI foi acusada de "blindar" o jornalista. Novamente, Odair Cunha respondeu. “Não haverá blindagem para nenhuma pessoa, seja jornalista, deputado, senador, governador, empresário, polícia, procurador, juiz que se envolveu com essa quadrilha”, disse Cunha.