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Política

Eleições 2012

Lacerda quer acabar com o PT em Belo Horizonte, diz Patrus

por Redação Carta Capital — publicado 27/08/2012 13h44, última modificação 27/08/2012 14h11
Após o fim da aliança entre PT e PSDB em Minas Gerais, Patrus Ananias tenta demarcar as diferenças entre as siglas
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Patrus Ananias em foto de 2010. Após o fim da aliança entre o PT e o PSDB em Minas Gerais, ele tenta demarcar as diferenças entre os dois partidos. Foto: Antonio Cruz / ABr

Desfeita a aliança entre o PT e o PSDB em Belo Horizonte, os partidos podem, na capital mineira, partir para o ataque como fazem no âmbito nacional e em diversas outras cidades há muito tempo. Nesta segunda-feira 27, o candidato do PT em Belo Horizonte, Patrus Ananias, mostrou que está disposto a fazer do embate com os tucanos um tema da campanha. Em sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo e pelo portal UOL, Patrus, segundo colocado nas pesquisas, atacou Marcio Lacerda (PSB), atual prefeito e candidato à reeleição com apoio do PSDB, e afirmou que ele "quer acabar" com o PT na cidade.

Em suas respostas, Patrus procurou demarcar as diferenças entre ele e Lacerda. Ele diz que seu rival tem uma relação pessoal ruim com a sigla em Belo Horizonte e também afirmou que a aliança PT-PSDB na capital mineira "sempre foi incômoda", o que acabou "mostrando suas limitações" a partir de 2012. Patrus negou que o PT tenha abandonado o projeto político na cidade por conta de picuinhas. Segundo ele, o fato de seu partido ter desistido da candidatura de Lacerda por ser excluído da chapa de vereadores foi apenas a "gota d'água" de uma aliança que já tinha problemas anteriores. "Ele optou pelo PSDB", disse Patrus sobre Lacerda.

A tese defendida pelo petista, de que foi o atual prefeito de Belo Horizonte que desfez a parceria, teria ressonância até mesmo na cúpula do PSB. De acordo com a coluna Poder Online, do portal iG, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, disse para a presidenta Dilma Rousseff que Lacerda "acabou cedendo à pressão do PSDB e do (senador) Aécio Neves". Campos e o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), teriam tentado dissuadir Lacerda, mas não tiveram sucesso, ainda segundo a coluna.

Para se distanciar de Lacerda, Patrus fez várias críticas à administração do rival. Criticou áreas como saúde e transporte, mas centrou suas atenções no setor de Cultura. Confrontado com uma pergunta sobre o PT ter comandado a área na gestão Lacerda, disse que o prefeito tem responsabilidade pois tem a obrigação de liderar. Ainda segundo Patrus, ele, caso seja eleito, não fará como seu rival, que "vincula a máquina pública ao partido", uma crítica a tanto à gestão municipal quanto à estadual em Minas Gerais.

Em sua estratégia de diferenciar o PT do PSDB, Patrus tentou valorizar a parceria com o PMDB. O petista negou as diferenças históricas entre os dois partidos em Belo Horizonte e afirmou que seu vice, Aloísio Vasconcelos, representa uma aliança de sua candidatura com o "PMDB unido" e não apenas com uma outra facção. Ele prometeu dar destaque a questões sociais e fez questão de lembrar sua gestão à frente do Ministério do Desenvolvimento Social, responsável pelo Bolsa Família, programa chamado de "revolução social silenciosa" pelo petista.

Patrus não quis comentar os possíveis efeitos que uma derrota de sua candidatura pode ter a presidenta Dilma Rousseff em 2014, mas afirmou que conta com o apoio dela e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições. "Não vou ficar atrás de Lula e Dilma", mais uma vez acusando Lacerda de se esconder sob a popularidade do ex-governador Aécio Neves (PSDB).

Nas pesquisas eleitorais feitas até aqui, Lacerda tem boa vantagem. Em 21 de julho, o Datafolha mostrou o candidato do PSB com 44% das intenções de voto, contra 27% de Patrus. Em 3 de agosto, o Ibope mostrou Lacerda com 43% das intenções de voto e Patrus com 21%.