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Política

Operação Durkheim

Ex-ministro, senador e prefeitos foram vítimas da quadrilha

por Redação Carta Capital — publicado 26/11/2012 11h45, última modificação 26/11/2012 16h53
Investigação sobre espionagem ilegal e lavagem de dinheiro levou à prisão 33 pessoas, entre elas o vice-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero

*Atualizada às 17h40

 

A Polícia Federal prendeu 33 pessoas nesta segunda-feira 26 em uma operação que envolveu a detenção temporária de Marco Polo del Nero, vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF). Segundo a PF, a operação Durkheim, realizada em São Paulo, Goiás, Distrito Federal, Pará, Pernambuco e Rio de Janeiro, tem o objetivo de desmantelar duas quadrilhas, uma especializada na venda de informações sigilosas e outra voltada à prática de crimes contra o sistema financeiro.

Um ex-ministro, um senador, dois prefeitos e dois desembargadores, um delegado de Polícia Civil, uma filial de emissora de TV e um banco estão entre as vítimas das organizações criminosas investigadas pela PPF desde 2009, quando um policial federal cometeu suicídio em Campinas (SP).

A operação investigou duas organizações criminosas. Uma delas, composta por vendedores de informações sigilosas e pessoas que tinham acesso a dados sigilosos, tais como funcionários de empresas de telefonia, bancos e servidores públicos. A outra tinha como finalidade remeter dinheiro ao exterior por meio de atividades de câmbio sem autorização do Banco Central.

Segundo Roberto Troncon, superintendente da PF em São Paulo, dez policiais foram investigados: três deles eram federais, sendo um aposentado. Também foi identificado o envolvimento de cinco policiais civis e dois policiais militares. “Há suspeita de que esses grupos devassaram, ilegalmente, o sigilo bancário, fiscal e telefônico de milhares de vítimas. Comprovadamente, 180 vítimas foram alvo desses grupos”, disse Troncon.

Os nomes das vítimas e dos investigados não foram divulgados pela PF porque o inquérito está sob segredo de Justiça. Todas as vítimas deverão prestar depoimento à polícia nas próximas semanas.

Um integrante desta quadrilha, cuja identidade ainda não foi divulgada pela PF, servia como elo com um outro grupo criminoso, especializado em lavagem de dinheiro.  Esta segunda quadrilha movimentou apenas em 2012 entre 20 milhões de reais e 30 milhões de reais. De acordo com o site G1,  PF apreendeu nesta segunda-feira cerca de 600 mil reais, além de 27 carros de luxo.

A operação da PF envolveu 400 policiais que deveriam cumprir 33 mandados de prisão, 34 mandados de coerção coercitiva, como ocorreu com Del Nero, que foi obrigado a prestar depoimento, e 87 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Além dos 33 presos, 73 pessoas foram indiciadas. Não há informação sobre quais as acusações contra Del Nero. Ainda segundo o G1, a PF informou apenas que o caso "não tem relação com o futebol".

Entre os crimes imputados aos investigados estão divulgação de segredo, corrupção ativa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, realizar interceptação telefônica clandestina, quebra de sigilo bancário, formação de quadrilha, realização de atividade de câmbio sem autorização do Banco Central do Brasil, evasão de divisa e lavagem de dinheiro, com penas de 1 a 12 anos de prisão.