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Evangélicos e ruralistas podem selar casamento

por Clara Roman — publicado 21/03/2012 16h59, última modificação 22/03/2012 14h11
Juntos, o grupo reunirá até 170 deputados para votar em conjunto temas de interesse próprio sobre a Lei Geral da Copa e o Código Florestal
joão campos

Deputado federal João Campos, da Frente Parlamentar Evangélica, se reunirá ainda hoje com Moreira Mendes da bancada ruralista. Foto: Luiz Alves/Agência Câmara

Um antigo flerte entre as duas bancadas mais representativas do Congresso está prestes a virar casamento. Evangélicos e ruralistas estão perto, muito perto de lançar uma frente conjunta para votar dois dos projetos mais sensíveis aos interesse do governo – e também dos setores que representam: a Lei Geral da Copa e o novo Código Florestal.

Juntas, as duas bancadas podem reunir 170 votos, o que representa 33% do parlamento. É quase o dobro da bancada do PT (85 deputados), a maior da Casa. A fidelidade à bancada, quando o assunto é pauta, é maior até mesmo do que ao partido. O que pode significar um esfacelamento ainda maior da base do governo.

“O governo terá de se preocupar”, afirma o e João Campos (PSDB-GO), expoente do grupo evangélico que costura com o colega Moreira Mendes (PSD-RO), representante do agronegócio.

Em entrevista a CartaCapital, Campos explica que uma conversa preliminar foi firmada na sexta-feira 16 e que Moreira Mendes foi receptivo. As negociações continuam, mas ainda não há um acordo sobre uma votação em conjunto para os projetos.

Em grande parte, porque a votação da Lei Geral da Copa foi adiada para a próxima semana, por falta de quorum. Deputados da base governista e da oposição se recusaram a votar a medida enquanto não fosse marcada a data da decisão sobre o novo Código Florestal e obstruíram a sessão.

Mas antes de o projeto voltar à discussão na Câmara deve haver uma reunião para tentar costurar um acordo definitivo.

Sabe-se, porém, que ambas as bancadas já definiram uma votação conjunta contra o artigo que permite a comercialização de bebidas alcoólicas nos estádios durante o mundial de futebol de 2014, na Lei Geral da Copa.

Por enquanto, as bancadas devem votar no Código Florestal de acordo com a orientação de seus partidos.

Essas votações têm provocado um levante de congressistas contra as propostas apoiadas pelo governo. A bancada evangélica abomina a ideia de se liberar a venda de bebida alcoólica nos estádios durante os jogos. Um acordo firmado com a Fifa, em que se compromete a permitir a venda de álcool,  deixa  o governo de mãos atadas nessa votação - já que um dos patrocinadores do Mundial é justamente uma marca de cerveja. Mesmo assim, no último texto aprovado, a decisão sobre a liberação passava para a mão dos estados.

Já os ruralistas se opõem a itens do novo Código Florestal aprovado no Senado e ambicionam retornar para a primeira versão aprovada na Câmara na primeira derrota da presidenta Dilma Rousseff na Casa, em 2011. Para o governo, no entanto, o projeto sancionado pelos senadores é o texto mais próximo de um consenso entre ruralistas e ambientalistas.

A Conferência sobre o meio ambiente Rio+20, que será sediada pelo país neste ano, aumenta a pressão para aprovar um código que agrade os defensores da natureza.  Dilma ameaça, inclusive, vetar a versão final.


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Como não é uma pauta da frente evangélica, Campos ainda vai analisar o texto antes de decidir seu apoio. “Por uma conveniência, estamos fazendo esse diálogo. Se não chegarmos a um consenso, não tem problema, cada um passa a orientação de seu partido”, afirma.

Na terça-feira, líderes aprovaram um texto que repassava aos estados a responsabilidade sobre liberação de bebidas nos estádios. O intuito do governo era evitar uma derrota, justamente por casa da oposição dos parlamentares religiosos. Eles não se mostram satisfeitos com os sinais emitidos pelo governo a proibição da venda de bebida. Pela última versão do texto, está suspenso o artigo que libera a bebida, mas o techo do Estatuto do Torcedor que proíbe o comércio de ácool não foi incluído. Ou seja: o projeto não libera, mas não restringe. Os deputados da bancada religiosa tentam limar essa ambiguidade - e, caso não consigam, o projeto não terá a aprovação dos evangélicos.

 

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