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Esquema de Carlinhos Cachoeira movimentava R$ 3 milhões por mês

por Agência Brasil publicado 21/08/2012 17h53, última modificação 21/08/2012 17h53
De acordo com procurador, cerca de R$ 167 milhões da quadrilha foram sequestrados após as operações da PF
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Cachoeira e seu advogado, Marcio Thomaz Bastos, durante sessão da CPI do Cachoeira, em 22 de maio. Foto: José Cruz / ABr

Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O esquema criminoso chefiado pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, chegava a faturar, mensalmente, em Goiás, entre 1 milhão e 3 milhões de reais com a exploração do jogo do bicho e com máquinas caça-níquel, de acordo com o procurador da República no estado Daniel Rezende. De acordo com o procurador, cerca de 167 milhões de reais da quadrilha foram sequestrados após as operações Monte Carlo e Vegas.

Ao lado da também procurada Léa Batista de Oliveira, Rezende prestou depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Cachoeira. Os dois integraram as operações Monte Carlo e Vegas, da Polícia Federal, que resultaram na prisão de Cachoeira, em fevereiro.

“A movimentação financeira do grupo era imensa, muito grande. Foram feitos alguns levantamentos em que, durante um determinado período, algumas casas de jogos localizadas em alguns municípios chegavam a amealhar mais de 3 milhões de reais”, disse Rezende.

De acordo com o procurador, as investigações apontaram que a quadrilha chegava a ter “prejuízo” de 200 mil reais por máquina caça-níquel apreendida durante as operações policiais. “Por isso, eles [a quadrilha] viam a cooptação de agentes de Estado como forma de investimento para evitar as perdas com as apreensões”, disse o procurador.

Rezende disse ainda que o grupo criminoso “migrava” recursos ilícitos para empresas legalmente formalizadas como forma de lavagem de dinheiro. “Os métodos utilizados para atividade espúria migravam para atividade lícita. Isso provoca, inclusive, a cartelização do mercado lícito. A literatura traz isso para a gente. Vimos isso na Itália. Começamos a ver isso, mas não conseguimos muito avanço”, disse Rezende.

De acordo com o procurador, durante as investigações se identificou grande repasse de recursos por parte de contador Geovani Pereira, que está foragido, para empresas legais. “Vimos a movimentação do Geovani Pereira, que é o principal contador do esquema, para algumas empresas de construção e farmacêuticas. Conseguimos ver a migração de dinheiro ilícito para o mercado licito”, frisou.

 

*Matéria originalmente publicada na Agência Brasil