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Em São Paulo, relações pessoais garantem financiamento

por Miguel Martins publicado 06/10/2016 03h47
Com o fim das contribuições de pessoa jurídica, a maior parte dos doadores concentrou seus recursos em apenas um candidato a prefeito
Reprodução / Twitter
Sônia Hess e João Doria

Doria ao lado de Sônia Hess, presidente do Lide Mulher e uma das doadoras de sua campanha

Os candidatos à prefeitura de São Paulo recorreram às suas relações pessoais com empresários para garantir o financiamento de suas campanhas. Entre os principais doadores, a maior parte investiu em apenas uma candidatura ao comando da capital paulista. Em eleições passadas, quando as contribuições de pessoa jurídica eram permitidas, as empresas costumavam distribuir seus recursos para vários candidatos em uma mesma disputa.  

Doria beneficiou-se de sua fortuna e doou 2,93 milhões de reais à própria campanha, mas contou com a ajuda de amigos abastados. Entre os 10 principais doadores do tucano, oito deles concentraram suas contribuições exclusivamente no prefeito eleito e não repassaram recursos a seus adversários.

Responsável pela principal contribuição de pessoa física a Doria, Renato Feder, um dos donos da empresa de informática Multilaser e financiador de cartazes anti-PT na Copa de 2014, doou 120 mil para o tucano. O empresário contribuiu ainda com 3 mil reais a Manoel David (PSD), derrotado na disputa à prefeitura do município paulista de Tietê, mas não doou aos adversários do tucano.

Além de Feder, doaram ao prefeito eleito empresários como Roberto Baumgart, um dos donos do Shopping Center Norte, que contribuiu com 100 mil reais. Em meio a uma agenda de campanha, Doria chegou a levar sua comitiva para o centro comercial com autorização da família que controla o empreendimento.

Doria recebeu também 80 mil reais de Sonia Regina Hess de Souza. Dona da empresa de moda Dudalina, ela é presidente do Lide Mulher, uma das divisões da associação controlada pelo Grupo Doria.

As exceções são Elie Horn, dono da construtora Cyrela, e Luiza Helena Trajano, que comanda a rede de lojas de varejo Magazine Luiza. Antes habituados a contribuírem com candidaturas por meio de suas empresas, ambos fatiaram suas doações nestas eleições.

Enquanto Horn doou 100 mil reais aos quatro primeiros colocados na disputa ao comando da capital paulista, Luiza doou 50 mil reais para Doria, 20 mil para Haddad e 15 mil para Marta Suplicy.  

Dos 10 principais doadores de Marta, apenas Horn doou para outro candidato. A principal contribuição veio de Ivan Correa de Toledo Filho, fundador da STP, empresa que controla a Sem Parar, responsável pelo sistema eletrônico de pagamento de pedágios nas rodovias de São Paulo. O empresário, amigo de Márcio Toledo, marido de Marta, doou 500 mil reais à peemedebista.

Já o bilionário José Isaac Peres, do grupo Multiplan, uma das principais controladoras de shoppings do País, repassou 200 mil a Marta. Ela recebeu também recursos de João Carlos Di Genio, fundador do grupo Objetivo. Curiosamente, o sobrinho do empresário, Fernando Di Genio Barbosa, doou para a campanha de Doria.

Os doadores de Haddad seguiram tendência semelhante. Entre aqueles que contribuíram com a campanha do atual prefeito, ex-ministro da Educação de Lula, destacam-se importantes empresários do setor de ensino privado.

Haddad recebeu 300 mil reais de Walfrido Guia, ex-ministro do governo Lula e dono do grupo Kroton Educacional, e 220 mil reais de Gabriel Mario Rodrigues, do grupo Anhembi. Além de Horn, apenas um empresário entre os 10 principais doadores do petista contribuiu com outra campanha: Gilberto Farah doou 100 mil reais ao atual prefeito e 10 mil à Marta.