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Manifestações

Em São Paulo, dezenas de milhares pedem novas eleições e “Fora Temer”

por Redação — publicado 04/09/2016 20h41, última modificação 04/09/2016 23h23
Logo após o encerramento do ato, PM atira bombas e jatos de água nos manifestantes. Capital teve atos contra Temer e repressão durante toda a semana
Miguel Schincariol/AFP
Protesto na Avenida Paulista

Ato transcorreu pacificamente por quatro horas. Logo após encerramento oficial, a Tropa de Choque jogou bombas de gás lacrimogêneo e de pimenta e jatos de água nos manifestantes

Pela quinta vez em sete dias, a avenida Paulista foi palco de mais uma manifestação contra o governo de Michel Temer, pontuados por críticas ao presidente recém-empossado, pedidos de novas eleições e marcados, na semana anterior, quando transcorreu o processo de impeachment de Dilma Rousseff pelo Senado Federal, por pesada repressão da Polícia Militar na capital paulistana.

O ato de domingo 4, convocado pelas redes sociais e organizado,entre outros, pela Frente Povo Sem Medo e Brasil Popular, que reúnem juntas 90 grupos, com a adesão de centrais sindicais, movimentos sem teto e de entidades estudantis, iniciou-se pacificamente e reuniu 100 mil manifestantes, de acordo com estimativas dos organizadores.

Logo após o anúncio de encerramento do ato pelos organizadores, a Polícia Militar jogou muitas bombas de gás e de pimenta e utilizou jatos de água contra os manifestantes, causando correria. A manifestação partiu do vão do Masp rumo ao Largo da Batata, na zona oeste da capital. 

Repressão policial ao final do ato Fora Temer em SP
Repressão policial aos manifestantes repetiu-se no final do ato de domingo 4

Durante todo o ato, a  tropa de choque da PM esteve posicionada na avenida Paulista e depois acompanhou o protesto até seu destino final. "Em manifestação inicialmente pacífica, vândalos atuam e obrigam PM a intervir com uso moderado da força /munição química", declarou o perfil oficial no Twitter da Polícia Militar de São Paulo.

Em manifestação inicialmente pacífica, vândalos atuam e obrigam PM a intervir com uso moderado da força / munição química.

— POLÍCIA MILITAR - SP (@PMESP) September 5, 2016

Os milhares de manifestantes concentraram-se em frente ao Masp entre 16h e 18h20, quando a via começou a ser fechada novamente para pedestres, e começaram a se dirigir para o Largo da Batata, seguindo pela avenida Rebouças. A frente do ato chegou ao local de destino por volta das 19h30 e o protesto foi declarado encerrado uma hora depois.  

Na quinta-feira 2, o governo de Geraldo Alckmin anunciou, por meio da Secretaria de Segurança Pública, a proibição de manifestações no domingo 4 na avenida Paulista. Em nota, o motivo alegado foi a passagem da tocha paraolímpica.

Após mediação entre a Secretaria de Segurança Pública e representantes dos organizadores da manifestações, feita pela Prefeitura, a via foi liberada para o ato, contrário a Michel Temer e com pedidos de novas eleições, depois que os organizadores "atenderam ao apelo para iniciar a concentração a partir das 16:30, preservando, com segurança, a passagem da tocha paralímpica e garantindo o direito democrático de livre manifestação", declarou o prefeito Fernando Haddad por meio do seu perfil oficial no Facebook.

Ato contra Michel Temer em frente ao Masp
A manifestação partiu do vão do Masp rumo ao Largo da Batata, na zona oeste da capital

Na sexta-feira 3, Michel Temer disse que as manifestações são "grupos pequenos e depredadores" e declarou que os atos não comprometiam o início de seu governo porque são promovidos por "40 pessoas que quebram carro". Nas contas dos organizadores, cerca de 100 mil pessoas manifestaram-se com pedidos de "diretas já" e "fora Temer".

De acordo com pesquisa Ibope divulgada neste sábado 3, 41% dos paulistanos consideram o governo Michel Temer "ruim ou péssimo", 36% classificam como regular e 13% "ótimo/bom". Nas demais capitais, a aprovação positiva do peemedebista oscilou entre 8 e 19%, enquanto que a desaprovação foi de 31 a 53% dos entrevistados.

Repressão policial

Nos atos ocorridos em São Paulo na semana do impeachment, a Polícia Militar seguiu um roteiro quase sempre igual, como reportou a Ponte Jornalismo. Nas manifestações da capital paulista na segunda-feira 29, a PM impediu a passagem dos participantes alegando que não havia sido informada do trajeto, após o primeiro disparo de uma bomba de efeito moral, houve uso de gás lacrimogêneo, tiros de bala de borracha e os caminhões da Tropa de Choque municiados de jatos d’ água.

Na terça 30, a manifestação na Avenida Paulista saiu do Masp e seguiu até a Praça Roosevelt. Após decisão da marcha de seguir até o jornal Folha de S.Paulo, o ato foi impedido de continuar e, na sequência, novamente houve repressão no centro da cidade.

Na quarta 31, em um ato mais expressivo, estimado em 10 mil participantes, a manifestação partiu do Masp e chegou até Consolação. Após alguns manifestantes tentarem bloquear a passagem dos carros nos dois lados da via, policiais novamente realizaram manobras de cercamento e dispersão dos participantes do protesto.

Durante o ato, alguns manifestantes colocaram fogo em sacos de lixo nas vias, de forma a impedir o avanço da PM e também houve atos de depredação. Manifestantes publicaram nas redes sociais fotos e vídeos de pessoas correndo e houve relatos de feridos. Um dos casos mais graves foi o da estudante Débora Fabri, 20 anos, que perdeu a visão do olho esquerdo após ser atingida estilhaços de bombas lançadas por policiais militares durante o ato. Trata-se do terceiro caso desde 2013 em que manifestantes ou profissionais da imprensa ficam cegos durante a repressão da Polícia Militar a protestos em São Paulo.