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Política

Em debate, Serra e Haddad discutem por causa de Marta

por Piero Locatelli — publicado 18/09/2012 00h20, última modificação 18/09/2012 00h31

O terceiro debate entre os candidatos a prefeito de São Paulo, organizado pela TV Cultura em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo e o Youtube nesta segunda-feira 17, foi mais morno que o anterior. O programa foi marcado pela troca amena de farpas entre Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB), especialmente por conta da entrada da ex-prefeita e agora ministra da Cultura Marta Suplicy na campanha petista. Líder nas pesquisas, Celso Russomanno (PRB) novamente se esquivou da associação entre seu partido e a Igreja Universal do Reino de Deus. No geral, acabou poupado pelo petista e pelo tucano. E o assunto 'mensalão", cujo julgamento no STF (Superior Tribunal Federal) vive momentos decisivos, foi citado apenas de relance.

Como explicar Russomanno

No primeiro bloco, todos os candidatos foram convidados a explicar o porquê da ascensão de Celso Russomanno nas pesquisas e da sua permanência no primeiro lugar. O candidato do PRB lidera isoladamente os levantamentos de intenção de voto de todos os institutos na capital.

José Serra e Fernando Haddad evitaram criticá-lo diretamente, como já vinham fazendo ao longo da campanha. “A eleição ainda está longe, muita coisa vai acontecer, as coisas que ele tem proposto vão ser analisadas”, disse Serra.

“(A pergunta parte do) pressuposto que as coisas não vão evoluir nas próximas semanas. Mas grande parte do eleitorado ainda esta apática em relação as eleições e deverá se informar sobre a proposta dos candidatos nos próximos dias”, disse Haddad.

Soninha Francine (PPS) disse que os outros candidatos ignoraram Russomanno por muito tempo. “Ele foi subestimado pelos demais candidatos, e se viu livre das acusações e farpas”, disse a candidata.

Paulinho da Força (PDT) criticou a atuação de Russomanno na Câmara dos Deputados, dizendo que ele votou contra os trabalhadores diversas vezes. Giannazi (PSOL) lembrou análise feita pelo filósofo Vladimir Safatle, e chamou Russomanno de “filho bastardo do lulo-petismo” e disse que ele é consequência de um “rebaixamento politico do que estamos vivendo”. Após as críticas, Russomanno se mostrou calmo e disse que Paulinho estava “desinformado” sobre a sua vida parlamentar.

Paulinho voltou ao tema ao responder uma pergunta de um internauta, lembrando que Russomanno votou contra o fim do comércio nos domingos. “Os trabalhadores do comércio, que vivem te abraçando hoje, tem que saber que estão trabalhando domingo por sua culpa”, disse o candidato do PDT.

Russomanno evitou qualquer ataque direto aos seus adversários. Ao ser questionado sobre a ligação do seu partido com a Igreja Universal, o candidato não comentou o fato do presidente do seu partido, Marcos Pereira, ser bispo licenciado da igreja evangélica. O candidato do PRB lembrou mais uma vez da figura do ex-vice-presidente da República José Alencar, católico e fundador do partido.

Haddad x Serra: leve troca de farpas

Fernando Haddad foi perguntado por um internauta sobre de que forma e por quem a sua campanha à prefeitura foi financiada. “A nossa legislação infelizmente não prevê o financiamento público de campanha. No meu entendimento, seria a melhor reforma política”, disse o candidato, sem discriminar de quem recebeu dinheiro durante essa campanha.

Serra foi questionado por Haddad sobre as críticas que fez à presença da presidenta Dilma Rousseff na campanha eleitoral. Na semana passada, após Dilma aparecer na propaganda de televisão do petista, o tucano disse que ela “não deveria meter o bico” na eleição paulistana.

“Essa é uma expressão utilizada comumente, não tenha agressividade, é um exagero isso”, disse Serra, que evitou criticar a presidenta no debate. “A imprensa pergunta isso todas as vezes. Eu disse, ela tem todo o direito de manifestar o seu apoio.” Em seguida, o tucano criticou a indicação da ex-prefeita Marta Suplicy ao ministério da Cultura. Marta assumiu o posto na mesma semana que entrou na campanha de Haddad.

“As vezes você é deselegante até com pessoas do seu próprio partido, isso não agrega”, respondeu Haddad.

Marta vira tema do debate

Soninha questionou por que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia escolhido o então ministro da Educação em detrimento da ex-prefeita, que também gostaria de ser candidata.

“Para não acontecer no Senado o que aconteceu na prefeitura”, disse Haddad, em referência a Serra, que não completou seu mandato como prefeito e saiu dele para concorrer ao governo do estado em 2006.

Marta abandonou a vice-presidência do Senado para se tornar ministra da Cultura, mas Haddad disse que a situação de Serra e da ex-prefeita não podem ser comparadas.

O petista argumento que Marta pode voltar ao Senado assim que desejasse, caso seu suplente não siga as orientações governistas. Em sua tréplica, Soninha deu a entender que Marta havia assumido o cargo no ministério em troca do apoio de Haddad.

O petista respondeu de maneira dura. “Marta Suplicy não é uma mulher que recebe ordens”, disse Haddad. "Você  deveria respeitar mais a prefeita. Você imaginar que ela segue ordens de chefe de partido é um descaso com sua própria biografia."

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