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Descaso com a Comissão de Direitos Humanos explica a ascensão de pastor

por Redação Carta Capital — publicado 07/03/2013 16h01, última modificação 06/06/2015 18h23
A escolha de Marco Feliciano simboliza como os fóruns temáticos são tratados como prioridade no Congresso: o PSC assumiu o grupo que "sobrou"

A indicação do Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados gerou protestos e ganhou o noticiário nos últimos dias. Algo inédito até ontem para uma comissão que jamais foi tratada como prioridade pelos partidos políticos.

A distribuição do comando das comissões segue o tamanho da bancada de cada legenda; cada líder partidário escolhe quais comissões sigla deve presidir. Segundo reportagem do site Congresso em Foco, a Comissão de Direitos Humanos foi a penúltima a ser escolhida pelos líderes partidários na última semana. Ou seja, outras 19 comissões eram consideradas mais importantes.

Líder do PSC, André Moura (PSC-SE) disse a CartaCapital que presidir a Comissão não era uma prioridade nem para a sua legenda. “Não foi o PSC que quis a comissão, a gente só obedeceu ao regimento. Nós gostaríamos de permanecer presidindo, como a gente presidiu nos últimos anos, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Mas não foi possível,” diz o deputado. Devido à escolha dos líderes, o PSC trocou lugares em outras comissões e tem cinco titulares e três suplentes na Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

Pastores e militantes

Na distribuição das vagas dentro dos partidos, militantes de minorias, de um lado, e religiosos, de outro, foram os que mostraram mais interesse em participar. Isso se refletiu na reunião que elegeu Marco Feliciano nesta quinta-feira 7.

Entre os deputados conhecidos pela atuação junto a minorias estão Erika Kokay (PT-DF), Jean Wyllys (Psol-RJ) e Luiza Erundina (PSB-SP). Eles se retiraram da comissão por não concordar que manifestantes fossem impedidos de entrar na sala em que a escolha foi oficializada.

Dentro da sala, Jair Bolsonaro (PP-RJ), defensor da ditadura, e líderes evangélicos como Pastor Eurico (PSB-PE) e Takayama (PSC-PR) defendiam suas posições, mesmo que alguns deles não tivessem direito a voto e fossem suplentes. São agora maioria num dos principais espaços de discussão sobre a diversidade, tão combatida, no País. Bolsonaro deu o tom de como o grupo será comandado a partir de agora: “Não assistiremos mais aqui seminário LGBT infantil, com crianças sendo estimuladas uma a fazer sexo com a outra.”

Abaixo, a lista de todos os que votaram na eleição de Marco Feliciano na comissão. Foram 11 votos a favor e um em branco (o voto foi secreto):

PSC:

André Moura (PSC-SE)
Antônia Lúcia (PSC –AC)
Costa Ferreira (PSC-MA)
Lauriete (PSC-ES)
Marcos Feliciano (PSC-SP)
Stefano Aguiar (PSC-MG)

PSD:

Liliam Sá (PSD-RJ)

PR:

Anderson Ferreira (PR-PE)

PSB:

Pastor Eurico (PSB-PE)

PDT:

Marcos Rogério (PDT-RO)

PV:

Henrique Afonso (PV-AC)

PSL:

Dr. Grilo (PSL-MG)