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Depoimento de delegado da PF aumenta pressão sobre procurador Roberto Gurgel

por Redação Carta Capital — publicado 09/05/2012 12h54, última modificação 09/05/2012 12h57
Parlamentares governistas e da oposição querem entender a demora da Procuradoria-Geral da República em denunciar parlamentares envolvidos com Cachoeira

O depoimento do delegado federal Raul Alexandre Marques de Souza na CPI do Cachoeira, na noite de terça-feira 8, colocou mais pressão sobre o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e sobre sua mulher, Cláudia Sampaio, subprocuradora da República. Souza foi responsável pela Operação Vegas, que investigou os negócios de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Sob sigilo, deu indícios, segundo parlamentares do governo e da oposição, de que Gurgel e Cláudia tinham, há três anos, informações sobre o envolvimento de políticos com Cachoeira.

As cobranças mais incisivas contra os procuradores partem da bancada do PT. Antes mesmo do depoimento do delegado Souza na terça, Cândido Vaccarezza (SP) já cobrava explicações de Gurgel, que recusou convite inicial da CPI para conversar com os parlamentares. Após o depoimento de Souza, Vaccarezza fez novas cobranças. “[A omissão] é um fato grave, porque essa quadrilha poderia ter sido desbaratada em 2009 e 2010. Foi preciso outra operação [Monte Carlo], com os mesmos nomes, para que tomássemos conhecimento dos crimes”, disse Vaccarezza. Para o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), “não há nenhuma justificativa para essa demora de três anos” para a procuradoria abrir a investigação contra os parlamentares. “Ele [Gurgel] vai ter de se explicar. Esse depoimento resulta na conclusão de que Gurgel deve depor na CPI”.

Há acusações contra o PT de que as críticas do partido contra Gurgel seriam uma forma de enfraquecer o procurador antes do julgamento do mensalão, previsto para este ano. O depoimento do delegado da Polícia Federal, entretanto, fez até oposicionistas cogitarem a ida de Gurgel e Cláudia à CPI. “O delegado não afirma, mas ficou no ar: o procurador-geral não sabia? Se sabia, por que nada fez?", disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). "Talvez seja o caso de chamá-la a depor na CPI, vamos avaliar", disse Onyx. Para Rubens Bueno (PPS-PR), "pareceu ser esse o recado do delegado [de que a procuradoria demorou demais para fazer a denúncia], embora ele não tenha sido explícito". Outro oposicionista, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), mudou de posição após o depoimento de Souza. Antes, dizia que chamar Gurgel para depor seria “abrir o cofre aos bandidos”, pois daria indícios da apuração criminal contra os investigados que vão depor na CPI. Depois, afirmou que a subprocuradora da República Cláudia Sampaio deveria dar explicações aos parlamentares. De acordo com a Folha de S.Paulo, a data exata em que a Procuradoria-Geral da República recebeu informações sobre o envolvimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e dos deputados Sandes Junior (PP-GO) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) com Cachoeira é 15 de setembro de 2009. Reportagem do site Congresso em Foco também afirma que o inquérito da Operação Vegas (comandada pelo delegado Souza) estava com a PGR desde 2009.

Na semana passada, Gurgel recusou o convite feito pelos parlamentares para participar da CPI a convite alegando que “eventual depoimento à comissão poderá futuramente torná-lo impedido para atuar nos inquéritos em curso e ações penais subsequentes.” Se prestar depoimento, diz Gurgel, ele seria testemunha e acusador no mesmo processo caso seja instado a denunciar parlamentares após a conclusão do relatório final da CPI do Cachoeira.

Também na semana passada, o relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), afirmou que Gurgel deixou abertas as portas para um possível depoimento na CPI. Na terça-feira, Cunha afirmou que novas convocações para CPI serão debatidas pelos 32 membros da comissão na próxima reunião administrativa, marcada para o dia 17.

*Com informações da Agência Câmara