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Política

Rosa dos Ventos

Demóstenes aposta em foro privilegiado

por Mauricio Dias publicado 15/04/2012 10h51, última modificação 06/06/2015 18h14
Demóstenes aposta na invocação do foro privilegiado para que o STF anule os indícios contra ele levantados pela Polícia Federal.
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O setor da Saúde novamente é reprovado em um governo petista

Cachoeira abaixo
Confiante, ao invocar o princípio do foro privilegiado, Demóstenes Torres espera que o Supremo Tribunal Federal anule os indícios contra ele contidos nas investigações da Polícia Federal.

O foco da PF era Carlinhos Cachoeira, um bicheiro high tech. Demóstenes caiu na rede por circular, digamos assim, no ambiente de poderosa rede criminosa.

Espera-se, no entanto, que o otimismo do senador não se escore apenas no fato de abrigar no gabinete dele uma enteada do ministro Gilmar Mendes. Ele talvez esteja pessimista com a repercussão no STF do comportamento que teve na inquirição da hoje ministra Rosa Weber.

Incógnita social
As pesquisas de opinião, todas elas, sempre apontam grande reprovação da atuação dos governos petistas (Lula/Dilma) quando se trata de avaliar o desempenho do setor da Saúde.
Segundo a mais recente pesquisa do Ibope, no fim de março, o desempenho do governo Dilma foi aprovado por 34% da população e reprovado por quase o dobro, 63%.

Curioso é que a maior reprovação vem das camadas mais altas da população, considerado o grau de instrução e a renda familiar (tabela). Esse pessoal mais próximo do topo do que da base da pirâmide social, portador de planos de saúde, frequenta hospitais privados. Mas é verdade que o atendimento nos hospitais públicos, que eles não frequentam, é precário.

Ora direis, ouvir estrelas?
A perplexidade tomou conta do Judiciário militar brasileiro, após o julgamento, no dia 9, do coronel Vianna Peres, na 12ª Circunscrição Judiciária Militar, em Manaus.

Peres, acusado por crime de peculato e uso de documento falso, é subchefe do Comando Militar da Amazônia. A sessão foi acompanhada de perto pelo general de Exército (quatro estrelas) Eduardo Villas Bôas, superior imediato do coronel.

Os militares do Conselho, dois generais de brigada (duas estrelas) tiveram de prestar continência e, por isso, talvez tenham sido coadjuvantes de cena inédita nos tribunais brasileiros. O coronel foi absolvido.

Torturador
Ao ser indicada, ela foi sabatinada no Senado, onde sofreu cronometrados 14 minutos de tortura psicológica infligida por Demóstenes Torres.

Naquele ambiente, ele valeu-se da tensão natural da ministra e formulou 22 perguntas que, com sofreguidão, Rosa Weber anotava.

No longo questionário, o senador usou a técnica maldosa de se referir a decisões tomadas nos últimos anos pelo STF. Não testou o saber. Tentou enredá-la nas armadilhas da memória. Mesmo assim, a ministra saiu-se bem nas respostas. E também no quesito “honorabilidade”, exigido dos indicados.

Uma questão para a qual Demóstenes parece não dar muita importância.

Eleição no Parlasul
A emperrada reforma político-eleitoral poderá inspirar-se nas regras discutidas para a escolha, por eleição direta, dos representantes brasileiros no Parlamento do Mercosul (Parlasul). Tramitam no Congresso duas propostas distintas. Uma do Senado e outra da Câmara. Elas têm um consenso, segundo estudo feito pelo Ipea.

Concordam em adotar exclusivamente o financiamento público de campanha custeada, com 5% do valor total, pelo Fundo Partidário.

A experiência poderá resultar em representação socioeconômica distinta da composição atual do Congresso Nacional?

Supremo Tribunal Federal
No dia 19, o sergipano Carlos Ayres Britto, 69 anos, assume a presidência do Supremo Tribunal Federal, o cume na pirâmide da Justiça brasileira. Há uma curiosa coincidência entre esse majestoso 19 de abril de 2012 para Britto e 19 de abril de 1980, desastroso, para Lula.

O então líder sindical Luiz Inácio da Silva, que, 23 anos depois, em 2003, como presidente da República, nomearia o advogado Ayres Britto para o STF, era preso pela polícia política da ditadura.

Militante petista, Britto naquele tempo foi uma espécie de cicerone do sindicalista que ia para Aracaju “subverter” a ordem patronal e política de Sergipe. Entre uma carona e outra, consolidou-se a amizade entre os dois.

Carlinhos, como era conhecido, tinha a tarefa partidária de buscar Lula no aeroporto e conduzi-lo para cima e para baixo. Já com uma carreira profissional em ascensão, ele era o único petista da cidade a dispor de carro com ar condicionado.

Na época de duras jornadas antipatronais, mesmo o mais corajoso militante sindical ou se derrete ou cede a esse prazer indispensável no tórrido verão tropical.

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