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Defensores do impeachment estão "vendendo terreno na lua", diz Dilma

por Agência Brasil publicado 19/04/2016 16h00
Em entrevista à imprensa internacional, presidenta acusa Michel Temer e Eduardo Cunha de "conspiração"
Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma

"Nós iremos resistir", afirmou a presidenta Dilma Rousseff

A presidenta Dilma Rousseff disse nesta terça-feira 19 que os defensores de seu afastamento estão “vendendo terreno na lua” para chegar ao poder e voltou a criticar o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). De acordo com Dilma, há uma “conspiração” contra seu mandato.

“Acredito que os que estão golpeando atendem só a um lado do País e estão vendendo terreno na lua”, disse a presidenta, durante entrevista a correspondentes estrangeiros no Palácio do Planalto. "Nós iremos resistir", completou.

Ao se referir a Cunha, ela destacou que o retrospecto do presidente da Câmara não o abona para ser juiz de nenhum processo. “Me sinto vítima de um processo que é um processo em que meus julgadores, principalmente o exemplo maior, que é o presidente da Câmara, tem um retrospecto que não o abona para ser juiz de nada, o abona para réu.”

Segundo a presidenta, o processo de impeachment contra ela na Câmara teve início por um desejo de vingança de Eduardo Cunha, já que o PT votou favoravelmente ao andamento de processo contra ele no Conselho de Ética da Casa. “Esse processo teve início por um desvio de poder, uma vingança, uma explícita vingança.”

Dilma também fez referência a Temer ao dizer que é “muito pouco usual” que se tenha um vice-presidente com as atitudes dele. “A conspiração se dá pelo fato de que a única forma de chegarem ao poder no Brasil é utilizando-se de métodos, transformando e ocultando o fato de que esse processo de impeachment, na verdade, não é um processo de impeachment, mas é uma tentativa de eleição indireta de um grupo que, de outra forma, não teria acesso (ao poder) pelos únicos meios justificáveis.”

A presidenta disse que é vítima de um processo de meias verdades ao falar sobre o pedido de afastamento que enfrenta e que a divergência política pura e simples não pode ser usada como base para um processo desse tipo. Durante a entrevista, ela defendeu ainda a legalidade das operações contábeis do governo que embasaram o pedido de impeachment.

Operação Lava Jato

Questionada se não sabia que havia corrupção no partido e na Petrobras, Dilma respondeu que é próprio da corrupção “ser feita às escuras, ser escondida”. “Ninguém é ingênuo e acredita que a corrupção surgiu agora. Ela foi revelada e lançada à luz agora, pelo meu governo e do presidente Lula, porque toda a legislação que permite essas investigações foi feita no meu governo ou no dele”, afirmou.

Sobre a Operação Lava Jato, a presidenta disse que as investigações não são isoladas. “Não acredito que a Lava Jato é um raio em céu aberto. Hoje não acredito. Antes estava tudo debaixo do tapete. Você me pergunta se eu não sabia (sobre a corrupção). Aí, te digo: foi preciso a delação premiada, o reconhecimento da independência dos procuradores, do Ministério Público, uma atitude em relação à Polícia Federal, foi preciso um conjunto de leis para que isso fosse descoberto”, afirmou.

“Ainda tem muita coisa que não se sabe, não vamos acreditar que está tudo escancarado”, afirmou Dilma.