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Críticas são medo do mensalão, diz Gurgel

por Redação Carta Capital — publicado 09/05/2012 19h18, última modificação 09/05/2012 19h18
Pressionado, o procurador classificou como 'escandalosos' os vazamentos de informações sigilosas das operações da PF
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O procurador-geral da República Roberto Gurgel

Alvo de críticas por causa da postura que adotou diante das denúncias envolvendo as relações do empresário goiano Carlinhos Cachoeira com autoridades públicas, Roberto Gurgel afirmou na quarta-feira 9 que há pessoas interessadas em desmoralizá-lo por causa do julgamento do mensalão. Para ele, "é compreensível que algumas pessoas ligadas a mensaleiros tenham essa postura de querer atacar o procurador-geral".

Gurgel se refere às criticas que recebeu por não ter apresentado denúncia ao Supremo Tribunal Federal contra o senador Demóstenes Torres em 2009, cuja relação com Cachoeira foi flagrada pela Operação Vegas da Polícia Federal. “O que nós temos são críticas de pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão. São pessoas que aparentemente estão muito pouco preocupadas com a questão do desvio de recursos e a corrupção”, disse Gurgel, no intervalo da sessão desta tarde no STF. “São desvios de foco que eu classificaria, no mínimo, como curiosos”, completou.

Além do procurador, sua esposa, Cláudia Sampaio, subprocuradora da República, também recebeu críticas. As cobranças mais incisivas partem da bancada do PT. Na terça-feira 8,  o delegado federal Raul Alexandre Marques de Souza deu indícios de que o casal tinha há três anos informações sobre o envolvimento de políticos com Cachoeira.

Embora tenha evitado citar nomes de supostos detratores do Ministério Público, Gurgel fez uma relação direta entre as acusações contra ele e o processo do mensalão. “Eu apenas menciono que há pessoas que já foram alvo do Ministério Público e que, agora, compreensivelmente, querem retaliar porque foram atacadas pelo MP e que têm notória relação com pessoas como réus do mensalão”.

O procurador também classificou como “escandalosos” os vazamentos de informações sigilosas das operações Vegas e Monte Carlo, montadas para investigar Carlinhos Cachoeira. Gurgel disse que já enviou um pedido para que a direção da Polícia Federal apure o caso. “A lei impõe o sigilo porque temos uma série de interceptações telefônicas [transcritas no inquérito], mas agora não há dúvidas de que esses são uns dos casos mais escandalosos de vazamento”, afirmou.

Gurgel fez um apelo para que essas restrições sejam respeitadas, apesar de grande parte das informações já terem circulado na imprensa. Para ele, não é possível liberar o acesso às informações sigilosas. “É preciso que se pare com essa coisa no país, de que sigilo é uma coisa para inglês ver, que é uma coisa que não deve ser observada”, concluiu.

 

 

*Com informações da Agência Brasil