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CPI quebra sigilos de Agnelo e Perillo

por Redação Carta Capital — publicado 14/06/2012 12h27, última modificação 14/06/2012 13h10
Dados dos governadores do Distrito Federal e de Goiás serão entregues à comissão. Eles são suspeitos de envolvimento com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do Cachoeira aprovou na manhã desta quinta-feira 14 a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Ambos são suspeitos de terem vínculos com a quadrilha do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, alvo primordial da CPI.

A quebra de sigilo abrange o período de dez anos, tempo igual ao das demais quebras aprovadas na comissão. Tanto Agnelo quanto Perillo já haviam colocado seus sigilos à disposição da CPI. Agnelo fez isso na quarta-feira 13, durante depoimento aos parlamentares que compõem a comissão. Perillo fez mesmo também na quarta-feira, um dia depois de seu depoimento. Na terça-feira 12, o relator da CPI, o deputado Odair Cunha (PT-MG), sugeriu que Perillo abrisse mão de seu sigilo, mas o governador goiano se recusou. Houve, inclusive, um grande bate-boca entre petistas e tucanos por conta do pedido de Odair Cunha. Após Agnelo Queiroz dizer que abria mão dos sigilos, Marconi Perillo voltou atrás. Ele entrou em contato com o líder de seu partido na Câmara, Bruno Araújo (PE), para que ele transmitisse a mudança de posição à CPI.

Tanto Agnelo quanto Perillo negaram qualquer irregularidade em seus depoimentos à CPI. Agnelo disse não ter conhecimento de qualquer indicação ligada ao grupo de Cachoeira em seu governo. O ex-chefe de gabinete do governador, Cláudio Monteiro, é suspeito de favorecer a quadrilha de Cachoeira. Perillo é suspeito de negociar um imóvel com o empresário goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Ele teria recebido ajuda do ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez (PSDB). Foi nesta casa, localizada em Goiânia, que Carlinhos Cachoeira foi preso pela Polícia Federal em 29 de fevereiro. O governador também é suspeito de nomear pessoas indicadas pelo bicheiro para órgãos estaduais.

Convocações de Fernando Cavendish e Luiz Antonio Pagot são adiadas

Uma das figuras que mais poderia ajudar a esclarecer como funcionava quadrilha de Carlinhos Cachoeira não vai depor na CPI. O empresário Fernando Cavendish, ex-dono da construtora Delta, teve sua convocação adiada pela CPI nesta quinta-feira, que seguiu a sugestão do relator da comissão. O requerimento pedindo a convocação de Cavendish foi derrubado por 16 votos a 13. A Delta é apontada pela Polícia Federal como um dos principais braços do esquema de corrupção do contraventor Carlinhos Cachoeira.

A CPI também adiou, por 17 votos a 13, a convocação do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot. Nos últimos dias, ele tem anunciado que quer depor na comissão e fez uma série de acusações contra o PT e o PSDB. Assim como no caso do dono da Delta, Fernando Cavendish, o adiamento foi proposto pelo relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG). Ele argumentou que precisa de tempo para analisar os documentos de que dispõe. Cunha afirmou também que, se tiver denúncias a fazer, Pagot pode procurar a Polícia Federal.

PSDB tentou convocar a presidente Dilma Rousseff

Nesta quinta-feira, o PSDB tentou convocar a presidente Dilma Rousseff (PT) para ser ouvida na CPI. Era uma represália ao pedido de convocação do ex-governador de São Paulo José Serra, candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo. Em requerimento assinado pelos deputados Carlos Sampaio (SP), Fernando Francischini (PR), Domingos Sávio (MG) e Vanderlei Macris (SP), o partido dizia que a empreiteira Delta doou R$ 1 milhão para a campanha eleitoral da presidente e que essa doação “esconde interesses escusos”. A convocação de Dilma foi rejeitada de forma liminar pelo presidente da CPI, Vital do Rêgo, pois a comissão não tem poderes para convocar os presidentes da República e do Supremo Tribunal Federal.

*Com informações da Agência Câmara