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"Corro risco de ser candidato em 2018", diz Lula

por Redação — publicado 10/06/2016 21h41
Em ato contra Temer, ex-presidente admite a possibilidade de disputar o Planalto mais uma vez
Paulo PInto / AGPT
Lula

Lula em ato na Paulista: pedir "fora, Temer" "não ficaria bem"

Milhares de pessoas se reuniram nesta sexta-feira 10 na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), em um protesto contra o presidente interino Michel Temer. O ato contou com a presença do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, que fez críticas diretas a Temer e ao governo interino.

Lula sugeriu que o processo de impeachment em curso é ilegítimo e que "só quem elegeu Dilma tinha direito de tirar Dilma". O ex-presidente não pediu "Fora, Temer", mote dos manifestantes, pois disse que não "ficaria bem", mas afirmou que "Temer deu golpe em decisão do Senado, que lhe deu interinidade", e sabe que "não agiu corretamente" ao assumir o governo.

Lula fez críticas a medidas tomadas e estudadas pelo governo interino, como o fim do Ministério do Desenvolvimento Social e a nomeação do senador José Serra (PSDB-SP) para o Itamaraty e a possibilidade de empresas públicas serem privatizadas. "Eles não querem governar, querem vender patrimônio público", disse Lula, acrescentando que "era melhor acabar com Ministério da Fazenda do que com Ministério dos Pobres" e que Serra nas Relações Exteriores representava a "volta" do complexo de vira-latas.

Lula também ventilou a possibilidade de disputar a eleição presidencial pela quinta vez, em 2018. "Estou com 70 (anos) e melhor do que quando tinha 50, com vitalidade de 30". "Quanto mais eles me provocarem, mais corro risco de ser candidato a presidente em 2018", disse.

O ato foi convocado pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo sem Medo e reúne movimentos e centrais sindicais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE), Intersindical, CTB, Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entre outros.

No protesto, manifestantes seguraram faixas pedindo a saída de Michel Temer. Havia também um varal com fotos tiradas em protestos em São Paulo. Um imenso caminhão de som foi atravessado na Avenida Paulista, ao lado do Masp, onde os líderes dos movimentos sociais se revezam para falar. É neste caminhão que, mais tarde, deverá estar o ex-presidente Lula.

“A manifestação tem como principal mote o Fora Temer. Porque não entendemos que este seja um governo legítimo, não reconhecemos esse governo e principalmente porque ele é um governo de ataque aos movimentos sociais e de ataque aos direitos sociais e de criminalização dos movimentos sociais e de repressão”, disse Carina Vitral, presidente da UNE.

“O mais importante para os movimentos sociais aqui é impedir o impeachment, impedir o golpe”, afirmou Vagner Freitas, presidente nacional da CUT, em entrevista coletiva concedida no local pouco antes do início do ato.

Para o líder do MTST, Guilherme Boulos, o governo atual representa um retrocesso no país. “É preciso entender a gravidade do momento que estamos vivendo. Está em curso no país um duplo golpe. Há um golpe por existir um presidente que não foi eleito por ninguém, que foi eleito por uma forma indireta, por um Parlamento descrebilizado na sociedade, mas também é um golpe contra os direitos sociais. Estão querendo aplicar um programa que também não foi eleito por ninguém e que é um programa de retrocessos”, destacou.

“Essa mobilização de hoje é um capítulo. As mobilizações vão se intensificar a cada passo que esse governo ilegítimo tente atacar o direito social dos trabalhadores”, acrescentou Boulos.

Ao menos 35 cidades tiveram atos como o de São Paulo. Em Fortaleza, movimentos sociais e entidades sindicais realizaram uma passeata para reafirmar posição contrária ao governo interino de Michel Temer. Faixas com as frases “Fora Temer” e “Volta Dilma” eram as mais vistas entre os participantes.

A caminhada saiu da Praça Luíza Távora e percorreu cerca de 2,5 quilômetros pelas avenidas Santos Dumont e Desembargador Moreira em direção à Praça da Imprensa, no bairro Aldeota, área nobre da cidade. Além das faixas, havia um boneco gigante com o rosto de Temer, que teve os braços atados com cordas.

*Com informações da Agência Brasil