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Com apoio do PMDB, CPI barra convocação de Policarpo Jr.

por Redação Carta Capital — publicado 14/08/2012 15h22, última modificação 14/08/2012 15h36
Comissão rejeitou o requerimento para convocar jornalista a falar sobre suas relações com o contraventor
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Capa da edição de número 710 de CartaCapital

Um acordo articulado por parlamentares do PMDB barrou nesta terça-feira 14 a convocação do jornalista Policarpo Júnior, diretor da revista Veja em Brasília, para falar à CPI do Cachoeira. Dois requerimentos estavam prontos para serem apresentados na reunião - um do senador Fernando Collor (PTB-AL) e outro do deputado Doutor Rosinha (PT-PR).

Com o apoio dos peemedebistas, a comissão, no entanto, priorizou outros requerimentos apresentados durante o encontro - como a reconvocação do bicheiro e a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônicos de Andressa Mendonça, mulher do contraventor. A cúpula da polícia de Goiás - delegada-geral da Polícia Civil do estadp, Adriana Sauthier Accorsi, e o comandate-geral da Polícia Miltar, Edson Costa Araújo - também foram convocados.

A manobra irritou o líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP), para quem a comissão tem a obrigação de convocar o jornalista, “que usou sua profissão e a revista para se aliar ao crime organizado e prejudicar seus alvos, como o deputado Jovair Arantes [PTB-GO]”. Tatto se referia às revelações, feitas por CartaCapital, de que Policarpo Jr. foi flagrado pela Polícia Federal "encomendando" um grampo sobre o deputado da base governista.

“Tenho fé que essa comissão vai convocá-lo, para que explique sua relação com o crime organizado, com Carlinhos Cachoeira, com o ex-senador Demóstenes. Portanto, espero com muita paciência. Espero que nós não tenhamos medo. Tivemos coragem de convocar senadores. Espero que não tenhamos medo de convocar um jornalista, ou melhor, um pseudojornalista”, disse o deputado.

O líder do PT afirmou que a convocação não é um atentado contra a liberdade de imprensa. “Trata-se de convocar um senhor que começa a envergonhar a categoria dos jornalistas.”

O senador Fernando Collor (PTB-AL), autor do requerimento de convocação de Policarpo, também reclamou da não convocação do jornalista, a quem se referiu como “bandido”, e seus "asseclas", os repórteres Rodrigo Rangel e Gustavo Ribeiro.

Collor disse que o procurador Alexandre Camanho - segundo ele, o braço direito do procurador-geral da República, Roberto Gurgel - levou dois procuradores ao encontro dos dois jornalistas da revista Veja em 12 de março para entregar os inquéritos das operações Vegas e Monte Carlo, sob segredo de justiça. “Vejam a gravidade desse fato. Essa revista é um coito de bandidos, comandada por seu chefe maior, Roberto Civitta”, disse .

O deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que também apresentou requerimento de convocação de Policarpo, disse esperar a votação dessa convocação na próxima reunião administrativa da comissão. Segundo ele, já está provado que algumas ações do jornalista são criminosas, como a do Hotel Naoum, quando Cachoeira montou um esquema para vigiar, ilegalmente, as movimentações do ex-ministro José Dirceu no local.

Ele disse que não é verdadeira a alegação do jornalista de que usava integrantes da organização criminosa como fonte de informação. “Já passou disso”, afirmou, citando gravação em que o jornalista supostamente pede a Cachoeira que grampeie o deputado Jovair Arantes. “Não é proteção da mídia, mas de um cidadão suspeito de ações criminosas. Ele tem que ser investigado”, disse.

Dr. Rosinha também defendeu a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal do jornalista.

O deputado Miro Teixeira (PDT-MG) disse que a convocação de Policarpo faz parte de uma intimidação da imprensa. “Quando vejo o líder do PT assumindo um discurso de restrição, de coação ao exercício à profissão de jornalista, me sinto no dever de falar. Estamos falando de um grande partido”, afirmou. Para Teixeira, as palavras de Tatto são de atemorizar. “É assim que começam os estados policiais.”

Segundo ele, o Brasil está se preparando para ser uma Argentina ao coagir os profissionais do jornal Clarín. “Querem correr atrás de quem grita pega ladrão ao invés de pegar o ladrão”, reclamou.

Já os requerimentos para a convocação dos deputados federais Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Sandes Júnior (PP-GO) provocaram debates entre os parlamentares. A princípio, os dois seriam convocados, mas um acordo possibilitou a retirada do pedido de convocação de Sandes Júnior, substituindo-o por um pedido de informações. O deputado deve ter que explicar doações feitas pelo laboratório Midway para sua campanha nas eleições de 2010. O dinheiro, conforme investigação da Polícia Federal, teria origem em empresas fantasmas ligadas a Cachoeira.

Carlos Leréia, por sua vez, não será mais convocado, mas convidado a depor. Um dos argumentos para a mudança da condição é de que ele já se dispôs a prestar esclarecimentos à CPI. Atualmente, o deputado responde a processo administrativo no Conselho de Ética da Câmara.

O deputado Sílvio Costa (PTB-PE) protestou contra as alterações aprovadas: "Estamos tratando iguais de forma desigual. Ou convocamos os dois ou não convocamos ninguém".

Sub-relatorias

A proposta de criação de sub-relatorias foi rejeitada por 16 votos a 4. Os parlamentares da oposição foram os principais defensores da mudança, na tentativa, sem sucesso, de descentralizar as ações, atualmente conduzidas por apenas um relator.

"Diante da complexidade deste esquema criminoso, seria mais ágil, prático e racional a criação de sub-relatorias", argumentou o deputado Rubens Bueno (PPS-PR).

Mais de 250 requerimentos não foram colocados em votação e continuam aguardando deliberação dos parlamentares.

 

Confira alguns dos requerimentos aprovados nesta terça-feira:

Convocação de Fábio Passaglia, denunciado pela revista Veja como suposto laranja da Construtora Delta;

Convocação do empresário Conrado Caiado Viana, que teria, segundo a Polícia Federal, desenvolvido um site hospedado na Argentina para o grupo de Cachoeira;

Convocação de Marcus Teixeira Barbosa, acusado pelo contador Rubmaier Ferreira de Carvalho de ter usado o nome dele indevidamente para abertura de empresas de fachada;

Convocação da delegada-geral da Polícia Civil de Goiás, Adriana Sauthier Accorsi, diante da influência exercida pelo grupo de Cachoeira na instituição;

Convocação do comandante-geral da Polícia Militar de Goiás, Edson Costa Araújo, com argumento semelhante em relação à delegada-geral;

Convocação de Fábio Passaglia, proprietário da empresa Terra Pneus e Lubrificantes, que, segundo denúncia da imprensa, seria patrão de Alcino de Souza, dono de uma empresa de fachada beneficiada com R$ 6 milhões da construtora Delta;

Quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Frederico Aurélio Bispo, acusado de exercer tráfico de influência junto a autoridades de Goiás;

Quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Rossinie Aires Guimarães, suposto sócio oculto de Cachoeira;

Quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Marcelo Henrique Limírio Gonçalves, sócio do ex-senador Demóstenes Torres no Instituto de Nova Educação Ltda. e sócio de Cachoeira no Instituto de Ciências Farmacêuticas.

A íntegra dos requerimentos está na página no Senado na internet: http://www.senado.gov.br/atividade/comissoes/comissao.asp?origem=CN&com=1589

 

Com informações da Agência Câmara e Agência Senado