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Corrupção

Mulher vira ré na Lava Jato, e a pressão contra Cunha aumenta

por Redação — publicado 09/06/2016 15h07, última modificação 09/06/2016 18h15
A jornalista é acusada de evasão de divisas e de lavar mais de 1 milhão de dólares
Marcos Oliveira / Agência Senado
Eduardo Cunha e Claudia Cruz

Cunha e Cruz: agora os dois são réus na Lava Jato

Sofreu um baque nesta quinta-feira 9 a tentativa do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de tirar das mãos do juiz Sergio Moro as ações contra sua família existentes na Operação Lava Jato. Dois dias depois de a defesa de Cunha entrar com um novo pedido no Supremo Tribunal Federal para a junção das ações contra si próprio e contra sua família, Moro aceitou denúncia contra a mulher de Cunha e a tornou ré.

Claudia Cordeiro Cruz, ex-apresentadora da Globo, responderá por evasão de divisas e lavagem de dinheiro proveniente do esquema de corrupção investigado na Lava Jato. Cunha já é réu, porém no STF.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, Cruz é a única controladora da conta em nome da offshore Köpek, na Suíça, por meio da qual pagou despesas de cartão de crédito no exterior em um montante superior a 1 milhão dólares em prazo de sete anos (2008 a 2014).

Foram compras em lojas como Christian Dior, Chanel, Balenciaga, Louis Vuitton, Charvet e Prada em cidades como Paris, Lisboa e Roma, e despesas educacionais nas quais estudaram filhos de Cunha, como a Malvern College (Inglaterra) e a IMG Academies LLP (Estados Unidos).

Para o MPF, Cruz tinha "plena consciência dos crimes que praticava" e usou a Köpek para pagar despesas de um valor "totalmente incompatível com os salários e o patrimônio lícito de seu marido".

Em depoimento prestado à força-tarefa da Lava Jato em abril, Claudia Cruz e uma de suas filhas com Cunha, Danielle Dytz, negaram ter conhecimento sobre a origem ilícita do dinheiro. Segundo elas, a conta era "abastecida" por Cunha e o deputado autorizava todos os gastos.

Ainda segundo o MPF, 99,7% do dinheiro depositado na Köpek tiveram origem nas contas Triumph SP (1,05 milhão de dólares), Netherton (165 mil dólares) e Orion SP (60 mil dólares), todas pertencentes a Eduardo Cunha e usadas por ele para receber dinheiro proveniente do esquema de corrupção.

De acordo com os procuradores, o dinheiro depositado na Köpek era parte de valores de uma propina de cerca de 1,5 milhão de dólares que Cunha recebeu para "viabilizar" a aquisição, pela Petrobras, de 50% do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011.

O MPF sustenta ter provas de que a aquisição do campo pela Petrobras, por 34,5 milhões, envolveu 10 milhões de dólares em propina, parte dela destinada a Cunha, "que tinha participação direta na indicação e manutenção de cargos na Diretoria Internacional da estatal, e que atuou de modo consistente para que o negócio fosse fechado".

A aceitação da denúncia por parte de Sergio Moro não deve conter as tentativas da defesa de Cunha e de sua família de retirar o caso da 13ª Vara Federal de Curitiba. O argumento é de que, ao julgar em separado a mulher e a filha do deputado, Moro estaria "usurpando" os poderes do STF.

O caso está com Moro desde março, quando Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, acolheu pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para desmembrar os casos. Como tem ficado claro nos vazamentos de pessoas investigadas na Lava Jato, há mais esperança para esses na mais alta corte do País do que nas mãos de Moro.