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Política

Eleições 2012

Campanha expõe contradições no discurso do PT

por José Antonio Lima publicado 22/10/2012 14h46, última modificação 22/10/2012 14h52
Partido usa em Salvador a estratégia de "unificar" governos federal, estadual e municipal, exatamente o argumento que critica no adversário em Fortaleza
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Dilma participa de comício da campanha de Pelegrino em Salvador. Foto: Divulgação / PT

Ao mesmo tempo em que preside uma ampla aliança federal em Brasília, o PT enfrenta nas eleições municipais aliados políticos importantes. Este dilema fez o partido adotar discursos divergentes conforme sua conveniência eleitoral, deixando claro que a vitória nas urnas é prioridade em detrimento de uma postura unificada. As duas principais contradições estão expostas de forma clara na contraposição entre candidatos experientes e políticos de primeira viagem e na discussão a respeito de quão positivo é haver um alinhamento entre governos municipais, estaduais e federal para que as populações desfrutem de uma cidade melhor.

A primeira contradição se dá nas campanhas das duas maiores cidades nordestinas. Em Salvador, Nelson Pelegrino (PT) vem, desde o primeiro turno, martelando a tese de que a capital baiana será uma cidade melhor caso tenha um prefeito petista. Assim, diz o candidato, haverá “sinergia de projetos” entre Salvador, o governo da Bahia, comandado por Jacques Wagner (PT), e o governo federal. A tese foi defendida até mesmo pela presidenta Dilma Rousseff. Em comício em Salvador na sexta-feira 19, ela afirmou que seu governo não persegue adversários políticos, mas que se Pelegrino fosse eleito, o “time” estaria “completo”. “Eu preciso de gente que joga com a mesma camisa", disse Dilma.

Em contrapartida, a campanha do PT em Fortaleza anda na contramão do que ocorre em Salvador. Para os fortalezenses, a campanha do candidato do PT, Elmano Freitas, afirma que a eleição de seu rival, Roberto Claudio (PSB), seria ruim para a cidade e para o Ceará por representar mais uma vitória da “oligarquia" dos Ferreira Gomes, uma referência ao grupo dos irmãos Cid Gomes, governador do Ceará, e Ciro Gomes (ambos também do PSB), ex-ministro. A crítica chama a atenção por dois motivos. Em primeiro lugar porque é direcionada à busca de hegemonia pelo PSB nos principais cargos da política cearense, justamente a mesma, e também legítima, intenção do PT na Bahia. Em segundo lugar, porque Cid, e principalmente Ciro, são aliados do governo federal, um alinhamento que, passado o período da conveniência eleitoral, deve ser retomado.

Novidade x experiência

O conflito entre novidade e experiência na política ficou claro nas palavras do ex-presidente Lula em São Paulo. Recuperado de um câncer, Lula tem mostrado boa forma e feito campanha em diversos municípios do Estado, mas nem sempre com discursos iguais.

Na capital paulista, Fernando Haddad (PT) baseia sua campanha no fato de ser uma novidade na política, em contraposição a José Serra (PSDB), político que já disputou inúmeras eleições. Em comício no sábado 20, Lula inclusive ironizou o que chamou de “sede de poder” de Serra, ao citar sua renúncia da prefeitura, em 2004, e o fato de não ter buscado a reeleição ao governo estadual em 2010 (quando disputou a presidência). A estratégia da novidade é apoiada por Lula. Em uma das inserções de tevê do PT, Lula e Haddad dizem juntos que “o PT veio para mudar, inovar e renovar”. A mesma estratégia usou Lula em comício em Campinas, terceiro maior colégio eleitoral do Estado. Na cidade, o líder das pesquisas é Marcio Pochmann (PT), economista que faz sua estreia em campanhas eleitorais. Lula ironizou o fato de Pochmann ser chamado de “poste”, como ocorria com a presidenta Dilma Rousseff na campanha de 2010, e saiu com a frase: “de poste em poste o Brasil fica iluminado”.

Em Diadema, município da região metropolitana de São Paulo, o discurso mudou. Ao defender o atual prefeito da cidade, Mario Reali (PT), Lula resgatou o slogan “não podemos trocar o certo pelo duvidoso”, que o ajudou a se reeleger em 2006 contra Geraldo Alckmin (PSDB) num momento de crise política provocada pelo escândalo do “mensalão”. E criticou a tese da novidade, apresentada em Diadema por Lauro Michels (PV). “(Em 1989) se estabeleceu neste País a ideia de um candidato que era o novo. O novo era o (o ex-presidente Fernando) Collor. E vocês sabem o que aconteceu. Agora vemos em Diadema a mesma fantasia”.