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Política

Porto Seguro

Arrependimento de servidor que recebeu propina motivou operação da PF

por Redação Carta Capital — publicado 25/11/2012 09h57, última modificação 25/11/2012 09h59
Auditor do Tribunal de Contas da União diz ter recebido 50 mil reais para forjar relatório

A operação Porto Seguro começou com o arrependimento de um funcionário público que recebeu propina, segundo a Folha de S. Paulo. Cyonil da Cunha Borges de Faria Jr., auditor do Tribunal de Contas da União, contou que Paulo Rodrigues Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), o ofereceu 300 mil reais para fazer um relatório favorável à Tecondi, empresa de contêineres que opera em Santos, segundo relatório da PF obtido pelo jornal. Segundo a PF, Vieira é o principal articulador do esquema de venda de pareceres.

Ainda segundo o jornal, a empresa precisaria do parecer favorável porque o TCU investigava se a Tecondi usava instalações portuárias que não estavam previstas na concorrência inicial da Codesp, feita em 1998.

O auditor do TCU disse que não aceitou a oferta de 300 mil reais, mas mesmo assim lhe deram dois pacotes com 50 mil reais.  Nesse parecer, ele defendeu a continuidade das operações da empresa.

Arrependido, ele procurou a PF, devolveu o dinheiro e virou delator. Com as informações, a polícia passou a monitorar telefones de Vieira.

Ligação para Dirceu

Ainda segundo o jornal, Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, ligou para o ex-ministro José Dirceu pedindo ajuda após a Polícia Federal iniciar a operação de busca e apreensão em seu apartamento na sexta-feira 23. A ligação teria sido feita por volta das seis horas da manhã e Dirceu teria dito que não podia fazer nada por ela.

Antes de ser nomeada chefe de gabinete da presidência em 2005, pelo ex-presidente Lula, Rosemary trabalhou por quase 12 anos como secretária de Dirceu.

Segundo o jornal Estado de S. Paulo ela teria intermediado encontros de autoridades com integrantes da organização criminosa. Ela teria marcado reuniões com o ministro Fernando Pimentel e com o governador da Bahia, Jaques Wagner, a pedido de empresários que foram presos em operação

A PF indiciou, por formação de quadrilha, dois servidores da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), três advogados e um empresário. Todos estão presos e o servidores públicos federais foram demitidos pela presidência da República no sábado 23.

 

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