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Agnelo coloca sigilos à disposição da CPI

por Redação Carta Capital — publicado 13/06/2012 12h34, última modificação 13/06/2012 14h14
Governador do Distrito Federal
CPMI – Vegas

Agnelo Queiroz depõe na CPI do Cachoeira. Foto: Agência Senado

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), negou nesta terça-feira 13 envolvimento com a quadrilha do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e disse que os seus sigilos bancário, fiscal e telefônico estão à disposição da CPI do Cachoeira.

Agnelo disse não ter conhecimento de qualquer indicação ligada ao grupo de Cachoeira em seu governo. O ex-chefe de gabinete do governador, Cláudio Monteiro, é suspeito de favorecer a quadrilha de Cachoeira. Um grampo da Polícia Federal mostra um diálogo entre o araponga Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, e o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, Claudio Abreu. Na gravação, eles falam sobre a nomeação de um aliado de Cachoeira no Serviço de Limpeza Urbana de Brasília.

“Eu não posso responder por diálogos de terceiros. Tenho certeza que se fizer uma análise profunda, vão ver que a maioria dessas ligações são ataques às minhas pessoas”, disse Agnelo em seu depoimento à comissão que investiga o bicheiro.

De acordo com o governador, o grupo de Cachoeira queria ter controle sobre a área de limpeza urbana do Distrito Federal e não considerava sua gestão um "governo amigo". "O grupo precisava de controle sobre o SLU (Serviço de Limpeza Urbana)", diz Agnelo. "A Delta tem apenas um contrato com o governo do Distrito Federal de coleta de lixo em duas áreas e esse contrato foi assinado no governo anterior, não no meu governo e, ainda assim, a mando da Justiça".

Governador diz que é vítima de Demóstenes

Agnelo se disse vítima de uma armação para tirá-lo do poder, comandada por Cachoeira e pelo senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). "Hoje eu compreendo porque o senador Demóstenes Torres protocolou um pedido de impeachment contra mim, no início do governo, em 2011".

O governador disse que a Delta entrou no serviço público no Distrito Federal em 2007, na administração do ex-governador José Roberto Arruda, acusado de liderar um esquema ilícito de financiamento de campanha e de compra de deputados distritais, que ficou conhecido como mensalão do DEM.

Perillo não abriu sigilos

A postura de Agnelo é distinta da tomada pelo governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que na terça-feira 12 disse não haver motivo para que seus sigilos fossem quebrados. A sugestão, feita pelo relator da CPI, do deputado Odair Cunha (PT-MG), provocou um grande bate boca na CPI entre governistas e oposicionistas.

Agnelo nega irregularidades na Anvisa

Agnelo defendeu-se da acusação de que teve responsabilidade na autorização de funcionamento de uma importadora de medicamentos pertencente a um empresário que lhe vendera uma casa enquanto foi diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), entre 2007 e 2010.

Ele disse que não teve nenhum encolvimento na autorização. Agnelo disse ainda que todas as suas contas como diretor da agência foram aprovadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

Segundo reportagem do Estado de S. Paulo, escutas telefônicas mostram que o laboratório Hipolabor recorria ao atual secretário de Saúde do Distrito Federal e ex-diretor adjunto da Anvisa, Rafael de Aguiar Barbosa, para acelerar demandas no órgão.