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Política

13 de março

Adesão ao protesto pró-impeachment cresce, mas ato ainda é elitizado

por Redação — publicado 14/03/2016 12h48
Segundo dados colhidos pelo Datafolha, homem branco com renda e escolaridade acima da média foi perfil dominante entre os manifestantes
Rovena Rosa/ Agência Brasil

Homem, branco, acima dos 36 anos, com renda e escolaridade superiores à média da população - esse é o perfil da maioria dos manifestantes presentes no ato pró-impeachment na avenida Paulista no último dia 13. 

Dados colhidos pelo Datafolha durante o ato pró-impeachment na avenida Paulista no dia 13 apontam que a marcha ganhou bastante corpo, mas que o perfil social dos manifestantes continua elitizado.

Com cerca de 500 mil pessoas na rua, o primeiro protesto de 2016 conseguiu arregimentar o dobro de participantes do primeiro protesto contra o governo Dilma, ocorrido em 15 de março de 2015. 

Mal avaliada em todos os segmentos da população (64% dos brasileiros classificam o governo como ruim ou péssimo, também segundo o Datafolha em levantamento realizado em fevereiro de 2016), 79% dos manifestantes do domingo acreditam que Dilma deverá sair do cargo. Entre a população brasileira, 60% acreditam que o Congresso deveria votar favoralmente pelo seu afastamento da presidência, ainda de acordo com pesquisa realizada pelo Datafolha em fevereiro. 

O instituto de pesquisa realizou 2.262 entrevistas entre 14h e 18h30 do domingo. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A maior parte dos manifestantes da Paulista eram homens (57%, ante 43% de mulheres), 77% declararam ser de cor branca (ante 63,9% da população da região metropolitana de São Paulo que se declara branca) e a média de idade girava em torno de 45 anos, segundo o Datafolha.

A renda e a escolaridade dos manifestantes que compareram ao ato também é superior à média da população paulistana. Metade dos participantes do protesto (50%) ganhavam acima de cinco salários mínimos (4.400 reais), com 24% recebendo entre dez e vinte vezes o valor mínimo fixado de 880 reais (8800 reais). No caso da escolaridade, 77% dos entrevistados declarou possuir o Ensino Superior completo - no município, o índice de pessoas com diploma do Ensino Superior é de 28%. Tal patamar é praticamente o mesmo do colhido nas demais manifestações anti-Dilma ocorridas em 2015.

Com relação à política, 94% dos manifestantes afirmaram não participar de nenhum dos grupos organizadores do ato. Apesar das vaias recebidas por líderes tucanos durante o protesto de domingo, 60% dos que aderiram ao protesto acreditam que Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) foi o melhor presidente do Brasil. Na primeira manifestação, em 15 de março de 2015, o PSDB era o partido preferido de 37% dos entrevistados. Em 2015, o índice caiu e passou para 21%.

A condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticada por diversos juristas, foi apoiada quase unanimamente pelo participantes, com 96% declarando que a ação do juiz Sérgio Moro foi correta. Sobre a possibilidade do afastamento de Dilma Rousseff da presidência, 79% dos que aderiram ao protesto acreditam que ela deixará o cargo - ante 33% da população brasileira que acredita neste desfecho para a crise política. O governo Dilma também é desaprovado por 98% dos participantese 96% defendem o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).