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Política

Eleição de São Paulo

A reencarnação de Serra

por Mauricio Dias publicado 04/03/2012 09h44, última modificação 06/06/2015 18h27
Esta candidatura tem relação também com a luta interna no PSDB
Aécio

Foto: Antonio Cruz/ABR

A morte humana é constatável por diagnóstico técnico. A morte política, no entanto, é impossível de ser diagnosticada.

Falhou num veredicto desses, por exemplo, o deputado ACM Neto. Após a derrota de José Serra, em 2010, não se sabe se por informações sopradas por alguma ialorixá baiana, ele afirmou que Aécio Neves passaria a ser então, “o grande líder da oposição”.

Certo é que o ex-governador paulista, dado por muitos como um morto político, reencarnou e se apresentou, com força e vivacidade, como candidato postulante à prefeitura de São Paulo.

Serra animou um cenário político, de certa forma, chocho.

Embora com os olhos marejados e expressão de decepção, o candidato tucano derrotado na disputa para a Presidência deu muitos recados na despedida. Não deu um “adeus”, mas um “até logo”, e afirmou: “Nós estamos apenas começando”.

Serra é um dos nomes certos no, muito provável, segundo turno da eleição de outubro. Contra ele estará Fernando Haddad (PT) ou Gabriel Chalita (PMDB).

O candidato tucano encarna o majoritário espírito do eleitorado paulistano: antipetista e conservador. A prova mais recente de que a capital é, essencialmente, uma fortaleza tucana está nos resultados das eleições presidenciais de 2010. Ele venceu Dilma no primeiro turno com 40,33% dos votos. Ela obteve 38,14%, com o apoio e prestígio do presidente Lula. No segundo turno, o tucano ganhou mais votos. Teve 53,64% contra 46,6% da petista. O tucano cresceu 13 pontos e a petista 8 pontos somente.

Pesquisas que avaliam a qualificação dos candidatos diante dos eleitores mostram que os paulistas absorveram a imagem trabalhada para Serra: eles o consideram “o mais inteligente”, “o mais preparado” e por aí afora. Mas também o rejeitam por pensar “mais em Brasília do que em São Paulo” e por ter interrompido o mandato de prefeito. Daí nasce a rejeição de 32% medida por pesquisa recente do Datafolha.

Essa é uma das razões pela qual Serra vai evitar que a eleição seja nacionalizada. A outra é que esbarraria na popularidade da presidenta Dilma.

O antipetismo de Serra apoia-se em doses medidas de convicção e cálculo eleitoral, mas também no combate interno do PSDB. Ele marca a distância da oposição moderada exercitada por Aécio Neves. São apostas diferentes no caminho da oposição que pretende tirar o PT mais rápido do poder.

A candidatura de Serra à prefeitura de São Paulo, além de dar continuidade ao projeto pessoal dele, tem um forte viés anti-Aécio. Ele foi um dos que ajudaram a transformar em pesadelo o sonho de Serra chegar à Presidência. Ninguém convence o paulista de que não houve indolência de Aécio na eleição em Minas, onde ele perdeu para Dilma. O resultado no segundo maior colégio eleitoral do País (tabela) supriu a vantagem do tucano no maior colégio eleitoral (São Paulo).

Há notícias de que Serra, se eleito, deixará o PSDB. Em 2010, na casa do empresário Alexandre Accioly, em Ipanema, no Rio, Aécio falou o mesmo. Deixaria o PSDB, caso Serra ganhasse a eleição. O ninho tucano ficou pequeno demais para os dois.
A vitória de Serra para a prefeitura paulistana será um tormento para Aécio. Como disputar a eleição sem base sólida em São Paulo?

José Serra, ao oficializar sua disposição de disputar a prefeitura paulistana, disse que “o sonho da Presidência ficará adormecido”. Aécio Neves deve comentar com seus botões: “Durma em paz”.

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