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Política

Jean Wyllys

"60% dos congressistas usam serviços de prostituição"

Declaração de autor do projeto para regularizar a profissão expõe hipocrisia dos colegas e causa revolta
por Redação Carta Capital — publicado 17/01/2013 13:11, última modificação 17/01/2013 16:12
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Mal chegou ao Congresso e a proposta do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) de regularizar a prostituição já provoca celeuma entre os colegas.

Tudo porque, em entrevista ao portal iG, Wyllys afirmou que são grandes as chances de o projeto ser aprovado porque, segundo ele, “60% da população masculina do Congresso Nacional faz uso dos serviços das prostitutas”. “Acho que esses caras vão querer fazer uso desse serviço em ambientes mais seguros”, afirmou.

A declaração provocou reações dos colegas, sobretudo da bancada evangélica, o principal entrave para o texto. "Esse comentário é deselegante. É uma ofensa”, disse o líder do PPS na Câmara, Rubem Bueno.

O líder do PR, Lincoln Portela, disse ao iG que, com o projeto, não demoraria para “termos faculdade formando prostituta”.

Esta é a segunda tentativa de regulamentar a profissão. Em 2003, projeto similar foi apresentado por Fernando Gabeira (PV-RJ), mas foi arquivado pela Câmara. O projeto de Jean Wyllys, colunista do site de CartaCapital, prevê que as prostituas tenham acesso à saúde e planos de aposentadoria.

Após a polêmica, Wyllys divulgou uma nota em que critica a forma como a declaração foi recebida. Confira:

“Está claro – até porque usei o verbo no futuro do pretérito (“diria que 60%…”), tempo verbal que torna relativa e incerta qualquer afirmação – está claro que eu não me referi a estatísticas precisas, levantadas por institutos de pesquisas. Considerando que jornalistas fossem capazes de levar em conta essa nuanças da Língua, espantou-me a maneira literal como parte da imprensa interpretou essa frase.

Na verdade, eu sei que essa parte da imprensa, até por estar em jogo os direitos de uma minoria difamada (as prostitutas), investiu na cobertura sensacionalista que sempre gera audiência, mas também histeria. É óbvio que a referência a 60% queria dizer “a maioria”; e que essa percepção de que boa parte dos homens já recorreu a serviços de prostitutas não é só minha nem é mentira, por mais indignados que os autoproclamados paladinos da “moral” e dos “bons costumes” tenham se mostrado indignados com ela.

Essa percepção é fruto da realidade que vemos todos os dias, das conversas que ouvimos, da literatura que lemos e dos filmes a que assistimos: sim, as prostitutas existem e a maioria dos homens recorre aos seus serviços! De mais a mais, o fato de que parlamentares recorrem a serviços de prostitutas já foi divulgado diferentes vezes por diferentes veículos de comunicação. É só procurar por essas matérias.

Por fim, gostaria de ver os deputados que se inflamaram com a estatística imprecisa indignados com o que realmente importa: por exemplo, com o fato de os prováveis novos presidentes da Câmara e do Senado estarem envolvidos em denúncias de corrupção e com o fato de muitos dos parlamentares terem vendido seus votos em matérias importantes”

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