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Islândia

Vikings, mas não machistas

por Gianni Carta publicado 25/06/2012 16h57, última modificação 06/06/2015 18h42
Thôra Anórsdóttir deverá vencer no sábado 30. Normal num país onde a premier é homossexual e a maioria no gabinete é composta de ministras
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A bela jornalista Thôra Anórsdóttir, candidata a presidente na Islândia, e seu marido dono de casa. O feminismo avançado da ilhota viking é exemplo para o mundo. Foto: AFP

O futuro presidente da Islândia poderá ser uma mulher. A bela Thôra Anórsdóttir, de 37 anos, vedete da tevê, está em primeiro lugar nas pesquisas de intenções de voto na Presidencial no sábado 30. Até aí, claro, nada de extraordinário, visto que em vários países, inclusive no Brasil, mulheres são e foram chefes de Estado.

Mas a Islândia, país de apenas 320 mil habitantes, é um caso particular no quesito de mulheres poderosas. E os vikings não parecem dar a mínima.

O premier responde por Jóhanna Sigurdardóttir, a primeira lésbica assumida a ocupar o posto na história do mundo. Progressista, é casada, e da forma mais legal possível, com uma poetisa. Juntas têm seis filhos adotivos oriundos de famílias menos favorecidas. Desde 2011 há mais ministras que ministros no gabinete. Quase 50% dos deputados são mulheres.

O bispo é uma bispa, a primeira na história do país.

Após ter recebido uma avalanche de e-mails e cartas, Thôra resolveu se candidatar à Presidência. Os remetentes queriam uma rival que pudesse ganhar do atual presidente, Ólafur Ragnar Grimsson. Aos 69 anos, Grimsson está no poder faz 16 anos.

Thôra, que se diz apartidária, hesitou. Estava grávida de seus terceiro filho com Svavar Halldórsson, também ele homem de tevê. Mas apesar de não ter nenhuma experiência no mundo da política, resolveu se candidatar em março.

O marido, terminada a licença-maternidade de Thôra, ficou em casa a tomar conta dos filhos.

Na Islândia, país de vikings, o machismo não tem vez?

Svavar não parece se preocupar com o que pensam seus conterrâneos de um dono-de-casa. Ele alega abertamente não saber consertar um automóvel. Por outro lado, uma briga de bêbados da qual participou foi negativa para a campanha da mulher. A mídia do país o tratou como um homem das cavernas embriagado.

Thôra sustena que a Islândia não é uma utopia onde mulheres e homens são considerados iguais. Ainda há quem a critique por ter se candidatado grávida. Homens ainda ganham em média mais que mulheres. E por que seu marido é criticado ao ficar em casa a cuidar das crianças e do bebê?

Com a provável vitória de Thôra, esse último passo rumo ao fim do machismo, miúdo em relação a outros países, também será dado. E assim outros homens como Savavar poderão dizer sem receios que são donos-de-casa.

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