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Banco dos BRICs

Vem aí o banco dos BRICs

por Redação Carta Capital — publicado 22/03/2012 17h32, última modificação 06/06/2015 18h58
Próxima reunião dos BRICs deve formalizar a intenção de criar um banco de desenvolvimento para financiar projetos exclusivos do grupo
Brics

Irritados com pouca influência no FMI e Banco Mundial, entre outras agências, apesar das extensas reservas financeiras, países em desenvolvimento discutem criação de entidade para financiar exclusivamente seus projetos. Foto: 401K/Flickr

Uma demanda concebida na reunião do G20 (grupo composto pelas 20 maiores economias do mundo) realizada na Cidade do México, em fevereiro, ganha força entre os BRICs (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul): a criação de um banco multilateral com o objetivo de financiar empreendimentos exclusivamente nos países do bloco.

Conforme mostrou reportagem de CartaCapital no final de fevereiro, a proposta - que tem a Índia como principal entusiasta - é resultado da insatisfação dos BRICs com a sua baixa representatividade em organismos financeiros internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM).

Durante a reunião na Cidade do México, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ameaçou atrelar uma nova ajuda financeira do Brasil à Europa com uma reforma nas cotas de participação do Fundo Monetário Internacional (FMI), para aumentar o poder dos emergentes no órgão.

Como pouco mudou desde então, a proposta indiana ganhou força e começa a ser discutida na Quarta Cúpula do Brics, que acontece na próxima quinta-feira 29, em Nova Delhi, Índia. Nela, o primeiro-ministro da Índia,  Manmohan Singh, prepara-se para apresentar a proposta de criação do banco de desenvolvimento do grupo, que funcionaria como uma espécie de alternativa ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

A expectativa é que, ao final da cúpula, os presidentes assinem uma declaração sinalizando a disposição de criar a instituição, mas sem fixar os detalhes.

Hoje, os Brics são responsáveis por um quarto da economia mundial e juntos possuem mais de 4 trilhões de dólares em reservas.

Primeiros passos

Mesmo se os líderes dos cincos países assinarem a declaração a favor da criação do banco multilateral, ainda faltará muitos pontos para que a instituição, de fato, seja criada. Negociadores brasileiros dizem que vários itens da proposta precisam ser definidos e o processo será a longo prazo. Segundo eles, é necessário estabelecer uma série de aspectos, como os termos de referência, a estrutura do organismo, como será integralizado o capital e as práticas de comércio bilateral e multilateral.

Nesta quinta-feira 22, a embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, subsecretária-geral de Política do Ministério de Relações Exteriores, disse que a proposta deverá ser analisada por um grupo técnico.

Recentemente, em entrevista à CartaCapital, dois especialistas se mostraram favoráveis à criação do banco. Para Amir Khair, ex-secretário de Finanças em São Paulo e especialista em contas públicas, a eventual criação do banco do BRIC pode ter um forte apelo político. “É uma forma de união dos emergentes, que possuem enorme força neste contexto internacional em que FMI e Banco Mundial servem apenas para financiar os desenvolvidos.”

Já para Júlio Sérgio Gomes de Almeida, doutor em economia e consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), a ação seria um instrumento de promoção de investimentos e exportações entre os emergentes. “As agências existentes cumprem esse papel, mas possuem uma orientação de gestão mais dirida pelos países desenvolvidos. Há um déficit de representatividade dos BRICs nos organismos internacionais. É natural que eles desejem aumentar sua influência, porque até agora quase não houve avanços”, ressalta o consultor.

Caso a proposta se concretize, a ideia é que a presidência da instituição seja rotativa entre os cinco integrantes do Brics. Paralelamente, os líderes deverão reiterar na Cúpula a defesa da ampliação do FMI. Atualmente o fundo possui 24 representantes – dos quais oito têm assentos permanentes e 16  são eleitos a cada dois anos. As economias que têm assentos fixos são os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha, França, o Reino Unido, a China, Rússia e Arábia Saudita.

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