Mundo

Uruguai legaliza casamento gay

O projeto de lei foi retificado na Câmara dos Deputados por 71 dos 92 parlamentares presentes

Uruguai legaliza casamento gay
Uruguai legaliza casamento gay
O casamento civil igualitário de gays e lésbicas é também uma política educacional: as crianças do amanhã ultrapassarão essa barreira simbólica. Foto: Guillaume Paumier/Flickr Creative Commons
Apoie Siga-nos no

MONTEVIDEU (AFP) – O Uruguai se tornou na quarta-feira 10 o segundo país latino-americano, depois da Argentina, a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A Câmara dos Deputados ratificou o projeto de lei do “matrimônio igualitário”.

Aos gritos de “Liberdade, liberdade”, uma multidão nas galerias comemorou a aprovação do projeto, que obteve o aval de 71 dos 92 deputados presentes. “Vamos ser uma sociedade mais justa, mais igualitária, com mais direitos para todos e todas”, disse o deputado da governista Frente Ampla (de esquerda) Sebastián Sabini.

A lei, muito questionada pela Igreja Católica e por grupos de defesa da família, afirma que o “matrimônio civil é a união permanente de duas pessoas de distinto ou igual sexo”.

A legislação também traz mudanças, tanto para homossexuais como para heterossexuais, sobre filiação, divórcio, idade mínima para contrair matrimônio, regime sucessório, adoção e ordem do sobrenome dos filhos.

A partir da vigência da lei, no prazo de 90 dias, a idade mínima para contrair matrimônio será de 16 anos. Atualmente, é de 12 anos para mulheres e de 14 anos para os homens.

             

A nova lei também amplia os motivos para o divórcio “à vontade de qualquer um dos cônjuges”, no lugar de “apenas a vontade da mulher”, como prevê o atual Código Civil, e inclui como causa a mudança de identidade de gênero, apenas quando se produza após a união matrimonial.

A legislação prevê ainda que os casais poderão escolher a ordem dos sobrenomes de seus filhos.

Segundo o texto, nos casamentos heterossexuais os filhos terão como primeiro sobrenome o do pai, mas isto poderá ser invertido de comum acordo, desde que a medida seja adotada para todos os filhos.

Michelle Suárez, primeira advogada transexual do país e autora do projeto inicial sobre o ‘matrimônio igualitário’, manifestou sua “profunda alegria por esta pedra fundamental para uma igualdade não meramente formal e sim substantiva” no Uruguai.

Federico Graña, do grupo ‘Ovelhas Negras’, que reúne lésbicas, gays e travestis uruguaios, disse que “hoje o estado uruguaio reconhece que há uma forma de amar que é diferente da heterossexual, mas tão válida como a outra”.

“Esta vitória é a vitória de todos os organismos sociais que lutam por uma sociedade mais justa e igualitária”, destacou Graña, anunciando que a organização planeja “exigir que em todos os organismos multilaterais se trate desta temática para que a América Latina seja um continente igualitário”.

“Esta noite não conseguirei dormir. Estou muito emocionado”, confessou à AFP Roberto Acosta, 62 anos, vestido de dourado, da cabeça aos pés, e com um chapéu com as cores do orgulho gay. “É incrível lutar tanto tempo e conseguir. Pensei que jamais iria ver isto”.

Nos últimos seis anos, o Uruguai legalizou a união civil de homossexuais, a adoção de crianças por parte de casais do mesmo sexo, a mudança de nome e de sexo na identidade e o ingresso de homossexuais nas Forças Armadas.

Na Argentina, o casamento entre pessoas do mesmo sexo está vigente deste 2010.

Leia mais em AFP Movel.

ENTENDA MAIS SOBRE: ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo