Internacional

Síria

Tropas russas descobrem valas comuns com civis em Aleppo

por Deutsche Welle publicado 26/12/2016 17h21
Dezenas de vítimas teriam sido torturadas, mutiladas e fuziladas. Rússia culpa rebeldes, enquanto ONGs acusam tropas de Assad e o EI
George Ourfalian / AFP
Síria

Segundo agência de notícias russa Sana, 21 corpos foram encontrados em prisões mantidas pelos grupos terroristas em Sukkari (foto) e Al-Kalasseh

Na cidade síria de Aleppo, soldados russos encontraram valas comuns com dezenas de cadáveres de civis. Segundo o Ministério da Defesa em Moscou, algumas das vítimas apresentavam marcas de tortura e mutilações, outras haviam recebido tiros.

A descoberta macabra não é totalmente surpreendente. Nas últimas semanas, organizações direitos humanos vinham registrando massacres e torturas no ex-reduto rebelde no norte da Síria.

Ao mesmo tempo, a responsabilidade pelas atrocidades é controversa. Segundo o porta-voz do ministério russo Igor Konashenkov, as investigações futuras forçarão os apoiadores ocidentais da oposição síria a "reconhecer sua responsabilidade pela crueldade" dos rebeldes.

Algumas ONGs, por sua vez, responsabilizam pelas mortes as tropas do regime de Bashar al-Assad, combatentes oposicionistas e membros da organização terrorista "Estado Islâmico" (EI). O Observatório Sírio de Direitos Humanos, baseado em Londres, confirmou que cadáveres haviam sido encontrados nas ruas do leste de Aleppo, mas sem poder especificar a causa das mortes.

A agência de notícias russa Sana também divulgou o achado dos cadáveres de 21 civis, entre os quais cinco mulheres e cinco crianças, na zona leste de Aleppo, anteriormente sob controle rebelde. "Os corpos foram encontrados em prisões mantidas pelos grupos terroristas em Sukkari e Al-Kalasseh, executados por tiros à queima-roupa", noticiou a agência, citando o diretor do centro médico legal de Aleppo, Zaher Hajjo.

Com o fim dos combates em torno de Aleppo, a Alemanha iniciará um programa humanitário para a metrópole síria no valor de 15 milhões de euros. Segundo o ministro alemão do Desenvolvimento, Gerd Müller, a verba visa assegurar o trabalho de mil médicos, enfermeiros e traumoterapeutas sírios na região de crise, por dois anos e meio. Além disso, 200 voluntários serão treinados para terapia do trauma.

"Depois que a comunidade internacional observou impotente os assassinatos e bombardeios, é preciso que haja uma mobilização em grande escala para os seres humanos de Aleppo", comentou Müller, em entrevista ao jornal Bild. O ministro alemão apelou para que também a ONU ajude na Síria. "As Nações Unidas têm agora que assegurar a sobrevivência de centenas de milhares de pessoas."

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