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Terrorista norueguês é condenado a 21 anos de prisão por massacre

por Redação Carta Capital — publicado 24/08/2012 10h30, última modificação 06/06/2015 18h18
Para Anders Breivik, resultado foi uma vitória, pois ele deseja ser considerado são pela Justiça do país
NORWAY-ATTACKS-TRIAL

Breivik é visto durante o pronunciamento de sua sentença. Foto: Odd Andersen / AFP

O extremista norueguês Anders Behring Breivik, de 33 anos, foi considerado por unanimidade responsável por seus atos e condenado nesta sexta-feira a 21 anos de prisão prorrogáveis, a pena máxima prevista pela legislação da Noruega, pela morte de 77 pessoas em Oslo e na ilha de Utoya em julho de 2011. A pena poderá ser prolongada de forma indefinida enquanto Breivik for considerado perigoso pela Justiça norueguesa.

Para Breivik, a sentença é uma vitória, pois desde sua prisão ele vinha buscando ser considerado são pela Justiça. Uma avaliação psiquiátrica inicial chegou a classificar Breivik como portador de distúrbios, mas foi revertida mais tarde. Nesta sexta-feira, ficou clara a intenção de Breivik de se tornar um mártir e um símbolo para extremistas. O acusado, vestido com terno preto, camisa branca e gravata cinza, fez a saudação de extrema-direita ao entrar no tribunal de Oslo. Ele ouviu com um sorriso o veredicto pronunciado pela juíza Wenche Elizabeth Arntzen. "A decisão é unânime. O acusado está condenado a 21 anos de prisão, com um mínimo de 10 anos", disse a juíza. Isso significa que Breivik não poderá apresentar nenhum pedido de libertação condicional durante a próxima década.

Em 22 de julho de 2011, Breivik matou 77 pessoas, oito delas em um atentado a bomba contra a sede do governo de Oslo e 69, principalmente adolescentes, ao abrir fogo contra o acampamento de verão da Juventude Trabalhista na ilha de Utoya, disfarçado de policial. Os ataques provocaram estupor na tranquila Noruega e revelaram a falta de preparo da polícia local e dos serviços de segurança.

A questão mais polêmica do julgamento, que aconteceu de 16 de abril a 22 de junho, era a saúde mental do réu. A primeira análise psiquiátrica concluiu que Breivik sofria de "esquizofrenia paranoica" e, portanto, não era penalmente responsável, mas a segunda análise o considerou mentalmente são. Breivik admitiu ser o autor dos homicídios, mas se declarou inocente: ele alegou ter cometido "atos atrozes, mas necessários" para salvar a Noruega do multiculturalismo. Ele queria ser reconhecido como mentalmente são para legitimar sua ideologia racista e xenófoba

A sentença foi recebida com grande satisfação por alguns sobreviventes. "Por fim acabou esta merda. A vida agora pode começar", escreveu na no Twitter Ingrid Nymoen.

O advogado de Breivik informou que ele não vai apelar do veredicto, o que evitará um segundo julgamento. "Ele afirma que não vai apelar agora que foi considerado são", disse o advogado Geir Lippestad à imprensa do lado de fora do tribunal. O assassino passará os próximos anos na penitenciária de Ila, a pouco mais de 10 quilômetros de Oslo.

Breivik se declara "escritor" e afirma ter vários livros em preparação, incluindo uma autobiografia. De acordo com uma pesquisa publicada nesta sexta-feira pelo tabloide Verdens Gang, 72% dos noruegueses consideravam o acusado suficientemente saudável mentalmente para ser condenado à prisão. Mas 54% consideram que as condições de detenção são muito "clementes", com três celas de oito metros quadrados (uma para dormir, uma para fazer exercícios físicos e uma para trabalhar), com direito a um computador portátil sem conexão com a internet.

Com informações AFP Movil

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