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Sinais das fumaças avisaram pela manhã: Scherer e Scola já eram

por Wálter Maierovitch publicado 13/03/2013 22h16, última modificação 13/03/2013 22h42
O cardeal brasileiro perdeu votos ao fazer a defesa do Banco do Vaticano, onde era um dos cardeais corregedores-fiscalizadores

A fumaça escura da manhã tinha um significado: as esperanças de Scheler e Scola viraram fumaça.

O cardeal Angelo Scola, que entrou com 50 votos, exauriu a sua capacidade de chegar aos 77 exigidos: três escrutínios tinham ocorrido. Scola começou a ser torpedeado pela imprensa, que mostrou a sua proximidade com políticos e com a Liga Norte, que nasceu separatista da Itália e, hoje, tem o governo da Lombardia, onde Scola é arcebispo. O purpurado Scola foi dado como amigo do ex-governador Roberto Formigoni, do partido de Berlusconi. Formigoni está sendo processado por corrupção pela Justiça de Milão. Scola negou tudo, mas não convenceu nem aos italianos e nem a muitos dos 115 cardeais votantes.

Dom Odilo Scherer, formação de diplomata e não de evangelizador, era o candidato da Cúria. Uma Cúria, como disse Ratzinger, onde havia luta pelo poder e entra no escândalo do Vatileaks. O chefão Bertone, totalmente queimado, lançou Scherer, que já trabalhou na chamada Cúria romana, coração da Santa Sé.

Para os vaticanistas que consulto e o jornal Corriere della Sera, o cardeal brasileiro perdeu votos ao fazer a defesa do Banco do Vaticano-IOR, onde era um dos cardeais corregedores-fiscalizadores.

Só para lembrar, na reunião de segunda-feira passada, o camerlengo Bertone, primeiro ministro à época de Bento XVI, defendeu as ações da Cúria na gestão do Banco do Vaticano, fonte permanente de escândalos. Mais de 30 cardeais atacaram Bertone e o relato feito pelo corregedor Odilo Scherer.

Os que criticaram lembraram que o Banco do Vaticano (apelidado de Banco do Papa) ficou, na mão da Cúria e sem responsável legal por nove meses. Tudo isso depois do afastamento do presidente Gotti Tedeschi, apelidado, pelos vínculos, de banqueiro do Opus Dei. Tedeschi foi derrubado por tentar acabar com a lavagem de dinheiro e, também, por querer dar transparência na identificação dos correntistas (usam no IOR o termo fundo e não conta corrente). Os correntistas são identificados por números e não pelos nomes.

Nesse episódio, que resultou em críticas à atuação de Scherer como corregedor-fiscalizador do IOR, houve uma elogiada frase do cardeal brasileiro João Braz de Avis: “São Pedro nunca teve um banco”, disse o indignado cardeal brasileiro.
Muitos cardeais, que desejam a extinção do Banco do Vaticano, lembram o evangelho de Mateus. Isso no alerta de não se poder servir a Deus e ao Dinheiro.

Com a candidatura de Scherer, um antirreformista ligado à Cúria, tinha subido à cotação, entre os concorrentes latino-americanos, do mexicano Robles Ortega, de 64 anos.

José Francisco Robles Ortega tem formação de pastor. Ou seja: é um evangelizador. Não é, frise-se mais uma vez, um diplomata de formação como Scherer. Robles Ortega, além de devoto da Virgem de Guadalupe, agrada aos italianos por ser devoto do chamado santo padre Pio.

O cardeal Scola, que entrou com 50 votos no Conclave, ficou claramente engessado ao não emplacar depois de três escrutínios. Já se fala no canadense Marc Oullet. Ele, em 1972, fundou uma revista com Ratzinger e já foi “olheiro”, por designação de Bento XVI, na seleção de candidatos a cardeal. Fala-se muito que, como papa, ele seria indicado para conviver harmônica e pacificamente com o papa emérito Ratzinger. Só para lembar, Ratzinger vai viver no Vaticano, “num puxadinho” que mandou reformar e dentro dos jardins.

Por fora, corria Gianafranco Ravasi, biblista e hebraísta. É considerado o homem mais culto da Igreja e sabe, como ninguém, dialogar com os jovens. Ele, que é escritor, perde votos por nunca ter sido um evangelizador. É o atual presidente do Conselho Cultural do Vaticano.

Pano rápido. Muitos experientes e rodados vaticanistas diziam não estarem mais a trabalhar com vazamentos. Isso porque os cardeais, suas fontes, estavam incomunicáveis, quer na Sistina, quer na Casa Santa Marta, onde estão hospedados. A propósito de fuga de notícia, a punição prevista era a excomunhão.

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