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Serra diz que orientou embaixadas a negar golpe

por Agência Brasil publicado 26/05/2016 11h57
Ministro das Relações Exteriores defende que circular "uniformiza" discurso em resposta a acusações "infundadas" nas Américas
Jessika Lima/AIG-MRE
José Serra

José Serra usou provérbio francês para justificar atitude

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, negou na quarta-feira 25 que esteja partidarizando a condução da política externa do país após o Itamaraty enviar a todas as embaixadas uma circular com a orientação para que a tese de que o impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff é um  “golpe” seja “ativamente combatida”.

Segundo Serra, o documento é uma forma de “uniformizar” o discurso em resposta a “acusações infundadas” de “alguns setores das Américas”. Citando um provérbio francês, o ministro ressaltou que o Itamaraty tem reagido a ataques de países que criticam o governo interino do presidente em exercício Michel Temer.

“Se nós somos atacados, reagimos em um tom menor. Não é em um tom maior, mas não podemos ser acusados de nos defender. Ou seja, se nos atacam, nos defendemos. Estamos sendo atacados, se nos defendemos, mesmo em um tom menor, somos acusados de nos defender? Não tem sentido. Se tem ataques, a gente se defende. E instruímos o corpo diplomático inteiro nesse sentido”, argumentou Serra.

Entre outros pontos, a circular distribuída a todas embaixadas brasileiras ressalta que o processo que levou ao afastamento de Dilma observou as regras e todos os ritos estabelecidas na Constituição.

Em março, ainda no governo Dilma Rousseff, o diplomata Milton Rondó Filho enviou mensagem às embaixadas, consulados e escritórios brasileiros em todo o mundo denunciando o que chamou de “golpe” e “processo reacionário em curso no país contra o Estado Democrático de Direito”, referindo-se ao impeachment da presidenta afastada.

A mensagem foi desautorizada e tornada sem efeito pelo Itamaraty e o diplomata foi advertido. Por causa dos telegramas, o então ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi convidado a dar explicações à Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado.