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Se pagar bem, que mal tem?

De como a Igreja Católica aceitou homenagear o narcotraficante Enrico de Pedis como ‘benfeitor dos pobres’ em troca de dinheiro

Se pagar bem, que mal tem?
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Benfeitor? Tendo dinheiro, até mafioso pode ser sepultado com honras de santo católico
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Em 1990, a Basílica de Santo Apolinário precisava de reforma. Foi a justificativa do vigário-geral de Roma, cardeal Ugo Poletti, para aceitar 1 bilhão de liras para sepultar Enrico de Pedis, com o título de “benfeitor dos pobres” e o nome gravado em diamantes, dentro desse templo milenar, ao lado de nomes importantes da história da Itália e da Igreja.

Não importava que o homem tivesse sido assassinado por ex-capangas na qualidade de líder da Banda della Magliana, organização criminosa e narcotraficante romana responsável por inúmeros crimes comuns e por atentados em colaboração com a extrema-direita e com Licio Gelli e a Loja P2, incluindo o assassinato em 1979 do jornalista Mino Pecorelli, ao investigar ligações mafiosas do primeiro-ministro Giulio Andreotti.

Em 2008, quando a basílica (sede de uma universidade da Opus Dei) completava a reforma, a ex-amante do criminoso afirmou que o responsável pelo misterioso desaparecimento em 1983 de Emanuela Orlandi, filha de 15 anos de um funcionário do Vaticano, fora o arcebispo Paul Marcinkus.

E um denunciante anônimo afirmou que a solução do mistério estaria na tumba de De Pedis. Suspeitou-se que ele teria sequestrado a moça para calar o pai, que sabia das ligações de Marcinkus com o crime organizado.

Após muito relutar, o Vaticano, por fim, aceitou abrir a cripta na presença de investigadores italianos. Estejam lá ou não os restos da jovem, o túmulo do mafioso, hoje atração turística, vai para lugar mais discreto.

Em 1990, a Basílica de Santo Apolinário precisava de reforma. Foi a justificativa do vigário-geral de Roma, cardeal Ugo Poletti, para aceitar 1 bilhão de liras para sepultar Enrico de Pedis, com o título de “benfeitor dos pobres” e o nome gravado em diamantes, dentro desse templo milenar, ao lado de nomes importantes da história da Itália e da Igreja.

Não importava que o homem tivesse sido assassinado por ex-capangas na qualidade de líder da Banda della Magliana, organização criminosa e narcotraficante romana responsável por inúmeros crimes comuns e por atentados em colaboração com a extrema-direita e com Licio Gelli e a Loja P2, incluindo o assassinato em 1979 do jornalista Mino Pecorelli, ao investigar ligações mafiosas do primeiro-ministro Giulio Andreotti.

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