Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Putin assume novamente presidência em meio a protestos

Internacional

Rússia

Putin assume novamente presidência em meio a protestos

por AFP — publicado 07/05/2012 11h45, última modificação 06/06/2015 18h59
Oposição reuniu 8 mil pessoas nas ruas, mas ato foi violentamente reprimida pela polícia, que agrediu prendeu 436 manifestantes
Putin sucedeu oficialmente Dmitri Medvedev durante uma cerimônia na luxuosa sala São Jorge do Kremlin. Foto: Vladimir Rodionov/AFP

Putin sucedeu oficialmente Dmitri Medvedev durante uma cerimônia na luxuosa sala São Jorge do Kremlin. Foto: Vladimir Rodionov/AFP

MOSCOU (AFP) - Vladimir Putin assumiu nesta segunda-feira o seu terceiro mandato como presidente da Rússia. A posse acontece um dia após uma grande manifestação da oposição contra o seu retorno ao Kremlin - e que foi violentamente reprimida pela polícia.

"Hoje entramos em uma nova etapa do desenvolvimento nacional. Os próximos anos serão determinantes para o destino da Rússia nas décadas futuras", declarou Putin em um breve discurso.

Putin, que ocupava o cargo de primeiro-ministro depois de ter sido presidente de 2000 a 2008, sucedeu oficialmente Dmitri Medvedev durante uma cerimônia na luxuosa sala São Jorge do Kremlin, diante de cerca de 3 mil convidados.

Soldados em uniforme de gala entraram desfilando com a bandeira tricolor russa. Depois de caminhar sobre um tapete vermelho, entre os aplausos dos presentes, Putin jurou sobre a Constituição.

"Juro, como presidente da Federação da Rússia, respeitar e proteger os direitos e as liberdades dos cidadãos, respeitar e proteger a Constituição da Federação da Rússia", declarou Putin.

Entre os integrantes estavam o patriarca da igreja Ortodoxa russa Kirill, o grande rabino Berl Lazar, o ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev e o ex-chanceler Gerhard Schroeder.

Polícia russa prende manifestante contrário a Putin na Praça Dvortsovaya, em São Petesburgo

Após sua posse, Putin propôs ao Parlamento a candidatura de seu antecessor, Dmitri Medvedev, para o cargo de primeiro-ministro, indicou o presidente da Duma (câmara baixa), Serguei Naryshkin, citado pelas agências russas. Desta forma, a parceria que há anos dirige o destino político do país segue de pé.

Medvedev, presidente durante quatro anos, mas sempre à sombra de Putin, iniciará o processo para sua nomeação como chefe de governo com um encontro com dirigentes de grupos parlamentares da Duma.

Na véspera da posse de Putin, uma manifestação da oposição que reuniu milhares de pessoas, 8 mil, segundo as autoridades, foi violentamente reprimida pela polícia, que agrediu os manifestantes e prendeu 436 pessoas, entre elas o líder da Frente de Esquerda, Serguei Udaltsov, o blogueiro anticorrupção Alexey Navalny e o ex-vice-primeiro-ministro Boris Nemtsov.

Além disso, 29 policiais ficaram feridos durante os incidentes.

As autoridades abriram uma investigação por "convocação para perturbar a ordem pública" e por "violência contra pessoas que representam a autoridade pública", crimes que podem levar a penas de três a dez anos de prisão.

Em meio a este clima de tensão, um impressionante esquema de segurança foi mobilizado nesta segunda-feira nos arredores do Kremlin e no centro de Moscou, e milhares de policiais foram deslocados para garantir a segurança da posse.
Eleito no dia 4 de março com quase 64% dos votos após eleições marcadas por denúncias de fraude, segundo a oposição, Putin, um ex-agente da KGB, conseguiu desta forma voltar ao Kremlin, de onde havia saído em 2008, já que a Constituição não lhe permitia realizar mais de dois mandatos consecutivos.
Sua vitória mereceu uma onda inédita de protestos por parte da população, que saiu massivamente às ruas para denunciar a fraude nas eleições e a corrupção que atinge o país.

Os primeiros oito anos de Putin como presidente (2000-2008) foram marcados por um forte controle do país e por alguma estabilidade, depois dos anos liberais e caóticos do mandato de Boris Yeltsin.

Este terceiro mandato, que após a reforma constitucional será de seis anos, se anuncia ainda mais difícil em uma sociedade onde a ânsia de mudanças nunca foi tão grande desde o desmembramento da União Soviética, em 1991.

registrado em: