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Presidente do Paraguai não consegue explicar aumento de patrimônio

por Redação Carta Capital — publicado 17/10/2012 18h24, última modificação 06/06/2015 17h37
Federico Franco, que assumiu o país minutos depois do golpe contra Fernando Lugo, vive seu segundo escândalo em quatro meses
francisco franco afp

O presidente paraguaio Francisco Franco diz que referendo é uma possibilidade, mas que pessoalmente é contrário à idéia. AFP/Arquivo / Norberto Duarte

Alçado ao posto de presidente do Paraguai depois do golpe que derrubou Fernando Lugo em junho, Federico Franco foi considerado responsável, inclusive no Brasil, por uma suposta "primavera liberal" que tomaria conta do país após o governo esquerdista de Lugo. Três meses depois de tomar posse, Franco já está em sua segunda grande polêmica. Em setembro, o jornal paraguaio La Nación mostrou que Franco, que acusava Lugo de nepotismo, empregou ao menos 27 parentes no serviço público. Agora, Franco não consegue explicar o aumento de seu patrimônio entre 2008 e 2012, e os poucos oposicionistas a seu governo defendem um julgamento político similar ao que Lugo foi submetido.

No domingo 14, o jornal Ultima Hora, do Paraguai, revelou que o patrimônio de Franco, que inclui uma propriedade em Santa Catarina, teve um aumento de 748% entre 2008 e 2012, passando de 648 milhões de guaranis (146 mil dólares) para 4,8 bilhões de guaranis (1,1 milhão de dólares. Na terça-feira 16, em entrevista coletiva, o presidente do Paraguai admitiu um "grave erro" e confirmou que falsificou um documento apresentado à controladoria. De acordo com Franco, um terreno que possui vale 800 milhões de guaranis (180 mil dólares) e não 2,1 bilhões de guaranis (480 mil dólares).

O jornal Ultima Hora, em reportagem sobre o tema, notou que com a correção deste "erro" Franco explica apenas uma parte de seu ganho patrimonial entre 2008 e 2012. Franco conseguiu justificar 300 mil dólares de ganhos, mas ainda precisa fazer a população entender como os outros 645 mil dólares foram somados a seu patrimônio.

Na entrevista coletiva que concedeu, afirma o Ultima Hora, Franco estava inicialmente assertivo, mas logo demonstrou nervosismo diante das perguntas dos jornalistas. O presidente paraguaio pediu que a imprensa considerasse seu salário e o de sua mulher, a deputada Emilia Alfaro, no crescimento de seu patrimônio. Ainda de acordo com o jornal, os salários de Franco e Emilia juntos somariam o equivalente a 7,9 mil dólares por mês, mas o incremento mensal do patrimônio da dupla entre 2008 e 2012 foi equivalente a 12,4 mil dólares. Estão fora desta conta todas as despesas mensais do casal, o que torna ainda mais difícil de entender como o patrimônio do presidente paraguaio cresceu tanto em tão pouco tempo.

No Parlamento do Paraguai, que derrubou Lugo e colocou Franco em seu lugar, o presidente desfruta de grande apoio, mas tem opositores. O senador Carlos Filizzola, do partido País Solidario, integrante de uma coalizão de esquerda, afirmou que o crescimento de patrimônio e o caso de nepotismo são motivos para "juízo político" de Franco. "(Franco) está exposto a um juízo político por mal desempenho de suas funções", disse o senador. "Se foi tão exigente com Fernando Lugo, este agora é um caso grave que se deve ter em conta", disse.

Franco pediu que a Controladoria do Paraguai avalie seus patrimônios. Caso o órgão determine que o crescimento de seu patrimônio é incompatível com sua renda, o Ministério Público pode abrir uma ação penal contra o presidente paraguaio.